2 de dez de 2010

ensinamentos de Rolli Bruch

Os ensinamentos de Rolli Bruch


De Jaraguá do Sul/SC, Rolli Brusch é criador renomado de Periquitos Ondulados Australianos (padrão inglês), foi campeão nacional durante anos seguidos, e do Hemisfério Sul, e é Juíz da FOB. Conversar com o Rolli sobre aves e criação é fascinante, sentimos-nos como um aluno de orelha em pé querendo aprender e seguir seus caminhos. Descubra aqui um pouco mais sobre como foi seu início com as aves e sua trajetória. Leia também seu blog : http://rollibruch.blogspot.com/

1 - O que motivou você a iniciar-se na criação de aves? Há quanto tempo isso ocorreu?
A motivação, na realidade, foi uma sugestão de um cardiologista, quando fui me consultar por estar sentindo dores no peito. Após todos os exames, ele me disse que não havia nenhum problema para eu estar sentindo essas dores, mas observou um elevado índice de estresse. Perguntou-me se eu tinha algum hobby e como a minha resposta foi não, e como ele sabia que eu me dedicava exclusivamente ao trabalho, sugeriu que eu me dedicasse, nas horas vagas, a plantas ou criação de algum animal. Perguntou-me, inclusive, o que eu preferiria criar. Respondi-lhe: Pássaros !!! (é que nos anos 60, quando trabalhava no Banco do Brasil, eu tinha uma belíssima criação de Canários de Cor). Curiosamente, quando saí do consultório, cheguei ao meu escritório e vi, num jornal de Blumenau, que naquele final de semana iria acontecer nessa cidade o Campeonato Brasileiro de Ornitologia, perto de minha cidade. No final de semana fui para lá e quando cheguei ao Pavilhão de Exposições, fiquei extasiado com a beleza dos Agapornis, recém chegados ao Brasil. Consegui, com muito custo, comprar meu primeiro casal. Iniciei minha criação com agapornis, isso em 1988, tornando-me logo depois, Juiz da FOB. Mas, em 1991, ao apreciar um Campeonato Brasileiro, em São Paulo, gostei muito dos Periquitos Ondulados Australiados (conhecidos como POAS), padrão inglês, e nesse evento acabei adquirindo alguns "refugos" que estavam à venda. Separei dois casais, colocando-os em duas gaiolas de criação. Depois de 3 meses, um dos casais presenteou-me com 4 filhotes maravilhosos, um deles, no ano seguinte, foi o melhor macho da Exposição do Campeonato Catarinense.

2 - Quais aves você cria atualmente? O que fez você se fascinar por elas?
Hoje dedico-me quase que exclusivamente aos POA´s, embora ainda crie agapornis, principalmente a nova mutação, os Opalinos. O que me fascina nos Periquitos é a sua docilidade ao manejá-los. Quando se entra no viveiro, eles vêm pousar sobre os ombros, cabeça, sendo extremamente curiosos. Um dos maiores criadores de Periquitos do Brasil disse-me, em certa ocasião, sabendo que eu criava Agapornis, que "quando criar periquitos você jamais vai querer saber de criar outras aves". Hoje concordo com ele ! Durante seis anos consecutivos, fui Campeão Brasileiro (1994,1995,1996,1997,1998 e 1999) e Campeão Mundial do Hemisfério Sul, em 1996, no Campeonato Mundial realizado em S.Paulo. Mas, desde 2000 não participo mais de Campeonatos, a não ser os aqui por perto, mais motivado pelo reencontro dos amigos.

3 - Quais as mutações recentes você conseguiu obter em seu plantel?
Fui o primeiro criador brasileiro a buscar periquitos junto ao Jô Mannes, em Freyburg, Alemanha, isso em 1994, quando também trouxe os primeiros Clearbodys (Corpos Claros) ao Brasil, conseguidos junto a um grande criador e amigo (recém falecido), Theo Slagmolen, da Bélgica. Lembro-me bem como esses Clearbodys eram extremamente pequenos. Hoje os encontramos no tamanho dos chamados normais. Atualmente dedico-me a aprimorar a qualidade dos periquitos, principalmente em lhes "devolver" o desenho melânico inicial das penas em diversas mutações, por exemplo: os opalinos. O que se vê hoje são opalinos que mais parecem "normalinos", além de com cabeça e pescoço “sujos”, e sem a marcação melânica do "V" no dorso. O pior, ainda, é que esses opalinos mal marcados acabam sendo premiados em julgamentos, levando o criador a uma falsa orientação do seja um verdadeiro Opalino. Além disso, estou conseguindo aumentar o tamanho dos fulvos. Hoje já possuo portadores de Fulvo que podem competir em igualdade de condições, em Campeonatos, com qualquer série normal. Já estou nesse trabalho há 3 anos. Provavelmente, já no próximo ano poderei apresentar os COP´s (Claros de Olhos Pretos) também no tamanho dos normais. Então, esses "aperfeiçoamentos" é que me dão prazer e alegria

4 - As suas conquistas como criador e ganhador de campeonatos são resultado de constante aprimoramento da técnica e da experiência. Em quem ou no que você buscou tudo isso?
O resultado positivo que tenho obtido em minha criação é oriundo de leitura de revistas alemãs e inglesas, principalmente dos artigos publicados pela Wellensittich Welt (o mundos dos Periquitos). Um exemplo: toda semana coloco nas voadeiras um galho com folhas de Eucalipto. Essa árvore, originária da Austrália, como também são os Periquitos, possui uma seiva que é importantíssima para regular a flora intestinal deles, além de servir (os galhos) como objeto de recreação ou brincadeiras (filhotes).

5 - Um bom criador tem que ser sistemático? Por que?
Um bom criador, na minha ótica, tem que ser sistemático naquilo que já tenha realizado e produzido bons resultados, e não seguir palpites sem embasamento. A mudança constante na alimentação, por exemplo, pode trazer resultados desastrosos. Em tese, não se muda o que deu certo.

6 - Quais seus pensamentos sobre a consanguinidade?
Eu a pratico desde que comecei a criar, evidentemente orientado por ensinamentos que recebi do Jô Mannes e do Theo Slagmollen, já citados anteriormente. Assim, todos meus periquitos, hoje em torno de 700, são parentes entre si. É evidente que há de se cuidar muito para que essa consanguinidade não seja "muito apertada". ex: pai x filha ou mãe x filho, irmão x irmã, etc. É lógico que muitas vezes somos abrigados a valer-nos desses acasalamentos para fixar o máximo das qualidades positivas de um pássaro excepcional. Mas não pode ser de forma continuada, ou melhor, sempre continuar com essa fórmula. O ideal é usar tios x sobrinhas, avós x netas ou netos, primos etc. Mas antes de juntar um casal deve-se verificar cuidadosamente qualquer defeito que possam apresentar. Essa verificação vai desde o tamanho da cabeça, tamanho das pintas, posicionamento das asas, elegância no poleiro, etc., etc. Outra particularidade (importante) a observar é o tamanho das penas. Sabemos que existem 3 tamanhos de penas no periquitos: a Yellow (curta), a pena média e pena longa. Jamais devemos acasalar dois penas longas, porque além de, normalmente, não serem bons reprodutores (mas ótimos para exposição) produzirão filhotes "buff" ( penas muito longas) que, quase sempre, terão encravamento de penas primárias e retrizes. O ideal é usar, ou dois penas médias, ou um pena curta X um pena longa e assim por diante. Levará tempo para o criador aceitar ou fazer dessa forma. Normalmente ele acha que se juntar campeões de exposição terá filhotes fantásticos. No entanto, a decepção será grande.

7 - Quais as principais dicas você daria para quem pretende tornar-se um criador?
Para quem pretende tornar-se um criador, aconselho procurar, antes de comprar qualquer ave que lhe ofereçam, conhecer o criadouro de quem está comprando. Se nesse criadouro houver "barulho" a ponto de quase não se poder falar, é sinal de que os pássaros estão bem de saúde. Verificar a higiene das instalações, inclusive dos poleiros. E nunca iniciar com aves caras, principalmente os campeões de Exposições, porque normalmente não são bons reprodutores. Compre, se insistir ter essa linhagem, os irmãos, mesmo que fenóticamente (as características externas como penas, porte, etc.) não tenham a qualidade dos da exposição. Mas eles têm a mesma carga genética daqueles, e isso é o que interessa.

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