13 de ago de 2011

CUIDADOS PEDIÁTRICOS

Uma ação que estimula a fêmea e/ou o macho a alimentar seu filhote são os piados que estes emitem até estar saciado pelo alimento. Quando o filhote não pede este alimento, podemos tirar algumas conclusões:
Imaturidade da fêmea como mãe;
Existe doença na fêmea ou no filhote;
Alguma deformidade física do filhote;
Ambiente estressante (ruídos, pessoas estranhas, animais estranhos, etc);
Falta do macho, que muitas vezes auxilia no trato;
Ninho errado, em forma, ventilação, luz, material para construção;
Calor ou frio.

A fêmea tenta estimular o filhote, quando este não responde, ela simplesmente o elimina bicando ou jogando para fora do ninho. Ás vezes encontramos filhotes mortos amassados dentro do ninho, junto com os filhotes vivos, sem que com isto a fêmea fique incomodada.

Nestes casos de fraqueza do filhote devemos aquece-los com uma bolsa de água quente coberta por uma toalha (teste a temperatura da bolsa no dorso da mão). Dê o medicamento diretamente no bico usando agulha de insulina. A glicose a 25% é fornecida na dose de 2 gotas de 11/2 e 1 ½ hora, ou menor tempo. Quando tiver alguma reação, tentar devolve-lo para o ninho. Fique alerta, pois caso a mãe rejeite novamente o filho, ela pode até mata-lo. Neste caso de rejeição podemos coloca-lo em uma ave ama-seca, ou da mesma espécie ou espécie diferente, que esteja em reprodução, com as características físicas desta época. Muitas vezes temos que ajudar a ama-seca ou a mãe nova a alimentar o filhote com papinha própria, cujos nutrientes são formulados para filhotes, o que consome muito tempo e trabalho.

Alguns casos em que os pais não tratam bem os filhotes, estes poderão permanecer nos ninhos, assim apenas auxiliamos a alimentação algumas vezes ao dia. Este método faz com que o filhote receba alimentos também dos pais, fornecendo anticorpos, e enzimas digestivas. Estes casos geram filhote mais fortes do que aqueles criados apenas artificialmente. No Caso do filhote já ter saído do ninho, mas não se alimentar direito, separe a gaiola, coloque poleiros próximos da divisória dos dois lados e observe, os pais continuam tratando os filhotes, mas sem que estes invadam seu espaço.

O filhote somente alimentado artificialmente deve permanecer em local ou gaiola aquecidos, por duas lâmpadas de 40W de feixe fosco, mantendo 370C, e tomando-se o cuidado para não ter chance de encostar na lâmpada. Esta tarefa ocupa muito tempo e dedicação. Dependendo da espécie terá de ser alimentado de 2 a 4 horas por dia. Quando as aves são muito jovens, este período deve ser reduzido de 1 em 1 hora e as temperaturas deverão ser de 32-350C. No caso de beija-flores o período de alimentação pode chegar até 30 em 30 minutos. O alimento deve ser servido sempre morno.
Enquanto o filhote come devemos limpar o alimento que gruda na apenas antes que resseque. Limpar a região da boca do filhote com cotonetes, para não acumular e fermentar esta comida até a próxima refeição.

O alimento próprio para filhotes, pode ser encontrado em grandes magazines de alimentos para animais, ou então preparado em casa. Fazer uma farinha com a mistura de: 60% de milharina (farinha de milho pâre cozida e fina), 30% de Neston (produto floculado com cereais: aveia, cevada e trigo, adoçado), 10% de leite em pó.

Esta farinha pode ser armazenada, sempre em local fresco e seco. Na hora de preparar o alimento, misture:
3 colheres de farinhada, 1 gema cozida, papinha de frutas ou vitamina de frutas até dar a consistência boa para cada filhote.
Acrescente 1 gota de suplementos vitamínicos (Protovit infantil) 3 vezes por semana, 1 ou 2 gotas de Calcigenol por dia.

Fazer o alimento todos os dias na primeira refeição e guardar em geladeira. Após a mistura com frutas e ovos, este alimento não pode ser armazenado em geladeira por mais de 18 horas.

Quanto às doenças, são muito variadas nesta fase da vida. Alguns criadores utilizam antibióticos e antifúngicos para prevenir. Nós não recomendamos, pois desde que os pais tenham recebido manejo e alimentação adequados, imunizados e controlados para doenças e parasitas, os filhotes continuarem recebendo cuidados especiais, este não precisará de medicamentos para viver. Todo criador que mantém estas normas básicas de criação e manejo, não utiliza antibióticos nesta fase de filhotes. Os órgãos das aves estão em maturação e podemos afeta-los irremediavelmente, principalmente no que diz respeito a reprodução futura. O ideal é procurar orientação ao sinal de qualquer sintoma anormal, que pode ser digestão difícil, diarréia, perda de apetite, sonolência, etc.

CONCEITOS TÉCNICOS E ACASALAMENTOS


CONCEITOS TÉCNICOS E ACASALAMENTOS

Revista CCCJ 2004


Inicialmente convém fazermos um estudo profundo a respeito dos acasalamentos, bem como os conceitos técnicos que muito ajudarão os iniciantes. Comecemos pêlos canários de cor clássica.

Denominaremos esta classificação de "cores bases" para os fatores mutantes, ou seja cores novas porque estes gens surgiram superpostos àquelas cores chamadas de clássicas. Daí a importância de conhecê-las em profundidade.

É conhecido que existem duas linhas de canários roller de cor: a) linha clara; b) linha escura. A linha clara se subdivide em linha clara com fator (vermelho) e linha clara sem fator. Compõem a primeira linha: 1)Vermelhos (intensos e nevados); 2) Mosaicos. A estes superpõem-se as denominadas cores novas, os albinos, acetinados e o marfim.

Compõem a linha clara sem fator:

1 -Brancos dominantes
2 - Brancos recessivos
3 - Amarelos (intensos e nevados)
4 - Amarelos mosaicos

Superpondo-se a estes fatores, teremos segundo a localização oficial:

1 - Albinos dominantes (branco dominante de olho vermelho).
2 - Albinos recessivos (branco recessivo de olho vermelho)
3 - Lutinos intenso e nevados e, ainda, mosaicos (são os amarelos ditos acima também portadores de olho vermelho nítido). Todos os gens mencionados acima poderão estar geneticamente ligados ou não ao sexo e assim serão INOS ou ACETINADOS, mas sempre sob a nomenclatura exposta.
A subespécie linha escura de cor clássica também vai subdividir-se em duas linhas:
a) com fator;
b) sem fator.

Alinha escura com fator vermelho, pela ordem de dominância, tem-se:

1 -Cobres
2-Ágatas
3-Canelas
4 - Isabelinos (Intensos ou nevados)

Sem fator:
1 - Verdes, intensos e nevados
2 - Azuis
3 - Ágatas amarelos, intensos, nevados e prateados
4 - Canelas amarelos, intensos, nevados e prateados
5 - Isabelinos amarelos, intensos, nevados e prateados.

A estas cores é acrescida a nomenclatura de cores novas que irá modificar-lhes os fenótipos, tais como: os inos, lutinos, acetinados, etc...

Para a caracterização e o acasalamento é necessário e imprescindível conhecer os seus caracteres básicos e conceitos técnicos e genéticos, para o perfeito entendimento no manejo dos
acasalamentos correios e, por outro lado sabe-se como atuam as cores novas sobre clássicas.

Assim, é preciso saber o que é um caráter dominante, recessivo, livre, ligado ao sexo, lipocromo, pigmento, melânico, eumelanina, feomelanina, melânicos oxidados, melânicos diluídos, fenótipo, genótipo, etc.

O caráter dominante como a própria expressão informa é aquele pelo qual domina a qualquer outro e não deixa influenciar, isto é, o caráter dominante não permite que apareça prole de carater diverso. Este prole diverso é chamado de dominado e que fica latente, podendo vir a se exteorizar. Exemplificando, o verde homozigoto é denominado sobre as demais cores, isto é, se for acasalado um verde macho com uma fêmea canela, ágata, isabel: toda prole será de verdes. Como se vê, não permite que nesta prole apareça outra cor senão o verde; por isso é dominante. E o fator dominado onde está? Estará latente nos filhotes machos desse acasalamento que recasados farão surgir a cor diversa.

Este conceito é importantíssimo para os acasalamentos.

HOMOZIGOTO é o canário que porta em seus dois gametas os mesmos fatores pigmentários. Em outras palavras, que seus ascendentes sejam iguais.

Assim usando estes conceitos, sabe-se que o verde domina o ágata, o canela e o Isabel; e o canela é dominante sobre o isabel. Substituindo-se o verde pelo cobre, tem-se a mesma linha de dominância nos canários com fator vermelho.

RECESSIVO é um gen que para se exteriorizarem sua descendência é preciso que exista em dupla dose e com relação à carga genética, não é ligada ao sexo. Em outras palavras, para surgir na plumagem dos descendentes é necessário que este gen esteja presente tanto no macho como na fêmea, ainda que, pelo menos, sejam ambos portadores. Como exemplo, os canários recessivos em geral, os opais, etc...

LIVRE é o gen que surge quando existir outro da natureza diversa, como o fator limão, asagris e até mesmo o mosaico, no entender de muitos.

LIGADO AO SEXO entende-se que a carga genética contida no cromossomo sexual capaz de determinar o sexo, a pigmentação como ocorre com os fatores marfim, pastel, acetinado e alguns canários (cores) de linha escura, com relação aos seus pigmentos melânicos.

Assim, um macho ligado ao sexo dará obrigatoriamente qualquer que seja a cor da fêmea todas as fêmeas de sua descendência iguais ao gen do pai.

Lipocromo é o pigmento amarelo ou vermelho existente na plumagem do canário. É um processo biológico de transformação dos elementos que se opera no organismo desses seres provocando a coloração da plumagem.

Pigmento melânico é a coloração negro-marrom existente no dorso, nas asas e em outras partes do corpo dos canários.

Eumelanina é o pigmento negro.

Feomelanina é o pigmento marrom.

Melânicos oxidados são os pigmentos verde-marrom e marrom, cobre no primeiro caso, e canelados, no segundo.

Melânicos deluidos são os que possuem a eumelanina e a feomelanina diluídas, os ágatas e isabelinos.

Fenótipos são os caracteres externos visíveis e que caracterizam o espécime.

Genótipo é a constituição genética de quaisquer seres vivos não perceptível pelo exame visual.

Memorizados os conceitos acima, fácil será a aplicação técnica e correia nos acasalamentos.

Pode-se, assim, fixar algumas regras para acasalamentos técnicos e corretos:

1) Acasalar melânicos oxidados entre si, isto é, cobre com cobre, canela com canela e cobre com canela.

2) Acasalar melânicos diluídos também entre si: ágata com ágata, isabel com isabel e isabel com ágata.

3) NÃO ACASALAR melânicos oxidados com melânicos diluídos que tendem a reproduzir pássaros atípicos, tais como, ágatas que se confundem com cobre e isabelinos que se parecem canelas.

Estes dois casos não pertencem a nenhuma categoria. Daí as desclassificações certa nos concursos, com raríssimas exceções.

4) NÃO ACASALAR pássaros de linhas desiguais.

Com bases nesses conceitos, formulamos a seguir relação de acasalamentos certos e correios, bem como resultados dos mesmos:

LINHA CLARA:

Branco dominante X Branco dominante, alto índice de prole branca, independentemente do sexo.
Excepcionalmente, sobrevêm amarelos, os quais deverão ser mantidos pois reacasalados com branco darão maior índice de brancos, além de fortificarem a descendência, porque os amarelos
são pássaros mais fortes e resistentes que os brancos.

Branco dominante X Amarelo - teoricamente, à exceção do descrito acima, darão 50% de brancos e 50% de amarelos independentemente de sexo. Este acasalamento é preferível ao anterior porque se evita o enfraquecimento da prole bem como previne em possível fator letal (morte prematura do embrião ou logo após o nascimento).

Amarelo X Branco dominante - idem acima.

O fator amarelo em ambos os casos poderá ser intenso ou nevado;
usando-se o intenso aparecerá na prole amarelos intensos e brancos de empenação melhor (chamados pena dura).

Branco recessivo X Branco recessivo - 100% de Brancos recessivos com raras exceções.
Desaconselha-se este acasalamento porque pode ocorrer o fator letal.

Branco recessivo X Amarelo comum - predominância dos amarelos independente de sexo, mas todos serão portadores de branco recessivo.

Amarelo comum X Branco recessivo - idem acima.

Branco recessivo X Amarelo portador de branco recessivo - 50% de brancos recessivos e 50% de amarelos portadores de branco recessivo, todos independentes de sexo.

Se o amarelo for descendente de branco recessivo X Branco recessivo haverá predominância do branco recessivo.

Amarelo portador de branco recessivo X Branco recessivo - idem acima.

Vermelho intenso X Vermelho nevado, ou vice-versa - 50% de intensos e nevados independentes de sexo.

Mosaico X Mosaico - 100% de mosaicos.

LINHA ESCURA:

Cobre X Cobre - 100% de cobre.

Cobre X Canela ou Canela X Cobre - 50% de cobres e 50% de canelas independentes de sexo.

Canela X Canela - 100% de canelas.
Macho ágata X Fêmea Isabel - machos ágatas e fêmeas Isabel. Se o macho for homozigoto, isto é, de origem Ágata X Ágata; se for de origem isabel a prole será de ágatas e isabelinos, independente de sexo.

Macho isabel X Fêmea ágata - machos ágatas e fêmeas isabel.

Obs.: O macho isabel é sempre homozigoto, ainda que seja de origem ágata em face de sua constituição genética.

Macho ágata X Fêmea ágata - 100% de ágatas, caso o macho seja homozigoto, pois do contrário só poderá portar isabel o qual poderá surgir na descendência.

Isabel X Isabel - 100% de isabelinos.

LINHA ESCURA SEM FATOR:

Macho verde X Fêmea verde - 100% de verdes.

Macho verde X Fêmea azul - 50% de cada cor, independentes de sexo.

Com relação aos ágatas, isabelinos e canelas proceder-se-á conforme a descrição dos acasalamentos com fator, seguindo-se as mesmas regras.

Não deve ser esquecidos que, afora os prateados e brancos, só se deve acasalar intenso com nevado; nunca nevado com nevado. E, em excepcionais condições, intenso com intenso, mas um deles deverá ter pena macia ou mole e shimmel para se evitar uma série de problemas, especialmente de empenação.

Todos os acasalamentos descritos são técnicos e certos e poderão ser seguidos à risca sem quaisquer problemas.

Entretanto em última instância, poderá recorrer-se a acasalamentos atípicos e, por isso, vai-se descrever uma série de acasalamentos que são desaconselháveis. Também seus resultados com relação à linha escura, porque não se deve nem por experiência fugir da técnica descrita nos acasalamentos de linha clara.

Sabemos que, pelo conceito de dominância, os canários melânicos oxidados dominam os de melanina diluída, isto é, o fator de diluição. Aplicando-se esta regra, um verde (homozigoto) acasalado com fêmeas canela, ágata ou isabel, toda prole será de verdes, portanto os filhotes, os machos, serão portadores de canela, ágata ou isabel que, recasados, farão aqueles fatores
dominados.

Este mesmo verde acasalado com fêmeas isabelinas, canela e ágatas prateadas, fundo branco, a descendência será de verdes ou azuis, não havendo contrariedade à regra enunciada, porque o azul é um fator oxidado.

Troquemos o macho verde pelo azul e usemos as fêmeas isabel, ágata ou canelas prateados, o resultado é o mesmo. Observando a mesma regra, toda descendência será de machos e fêmeas verdes ou azuis.

Está se percebendo que todo o segredo está na ciência que aponta o macho como responsável de quase todo o enigma, isto porque é nele que se concentra grande parte da carga genética.

Vejamos outros resultados de acasalamentos:

Macho ágata amarelo X Fêmea verde - machos verdes e fêmeas ágatas.

Todos amarelos.

Macho ágata amarelo X Fêmea azul - machos verdes ou azuis e fêmeas ágatas prateadas.

Macho ágata amarelo X Fêmea canela amarela - machos verdes e fêmeas ágatas amarelas.

Macho canela amarelo X Fêmea verde - machos verdes e fêmeas canelas.

Macho canela amarelo X Fêmea azul - machos azuis e verdes e fêmeas canelas amarelas prateadas.

Macho canela amarelo X Fêmea ágata amarela - machos verdes e fêmeas amarelas.

Macho canela amarelo X Fêmea isabel amarelo - machos e fêmeas canelas.

Macho isabel amarelo X Fêmea verde - machos verdes e fêmea isabel.
Obs.: Os machos deste acasalamento serão portadores não só do fator dominado (isabel), como também de ágata e canela.

Macho isabel amarelo X Fêmea azul - machos verdes ou azuis e fêmeas isabel prateada.

Macho isabel amarelo X Fêmea canela amarela - machos e fêmeas isabel todos amarelos.

Com relação aos canários de fundo branco os resultados serão os mesmos. Basta trocar o fator amarelo pelo prateado, serão todos prateados com raras exceções se acasalarmos prateado com prateado.

LINHA ESCURA COM FATOR

Macho cobre X Fêmea isabel - machos e fêmeas cobres.
Obs.: Os machos deste acasalamento serão portadores de isabel.

Macho cobre X Fêmea ágata - machos e fêmeas cobre.
Obs.: Os machos serão portadores de ágata.

Macho canela X Fêmea isabel - machos e fêmeas canela.
Obs.: Os machos serão portadores de isabel e toda descendência poderá ou melhor, deverá ser atípica.

Macho canela X Fêmea ágata - machos cobre e fêmeas canela ou ágata.
Obs.: Todos os machos serão portadores, além de ágata, de canela e isabel e deverão ser atípicos confundindo-se ente si os cobres e ágatas.

Macho isabel X Fêmea canela - machos canelas e fêmeas isabel, também serão atípicos.

Macho isabel X Fêmea cobre - machos cobres e fêmeas isabel. Do mesmo modo serão atípicos, entretanto os machos portarão ágata, canela e isabel.

Macho ágata X Fêmea canela - machos cobres e fêmeas ágatas. Os machos serão portadores de ágatas, canela e isabel e terão os mesmos problemas ja descritos.

Macho ágata X Fêmea cobre - machos cobres e fêmeas ágatas. Os machos serão portadores de ágata com os mesmos problemas já apontados.

Ai estão esgotados as combinações possíveis e seus resultados, lembrando novamente que esses machos enunciados são homozigotos (hereditários puros) e que não se deve recorrer a esses acasalamentos porque não são técnicos e representam uma regressão.

Convém, finalmente dizer que os produtos dos acasalamento acima realçados não darão o mesmo resultado descrito, pois a sua constituição genética virá modificada.

Entretanto se for usado um desses produtos, deve-se fazê-lo dentro das técnicas enunciadas inicialmente.

TABELA RESUMIDA DE ACASALAMENTO

Branco Dominante x Amarelo Nevado

Amarelo Intenso x Amarelo Nevado

Amarelo Mosaico x Amarelo Mosaico

Vermelho Intenso x Vermelho Nevado

Vermelho Mosaico x Vermelho Mosaico

Cobre Intenso x Cobre Nevado

Canela Prateado x Canela Amarelo

Canela Intenso x Canela Nevado

Ágata Prateado x Ágata Amarelo

Ágata Intenso x Ágata Nevado

Isabelino Prateado x Isabelino Amarelo

Isabelino Intenso x Isabelino Nevado

Azul Dominante x Verde

Verde Intenso x Verde Nevado

ACASALAMENTO DE CANÁRIOS LIGADOS

PASTEL - MARFIM - ACETINADO
MACHOS X FÊMEAS
Puro Pura = Machos e Fêmeas Puras
Portador Pura = 25% Fêmeas Puras
25% Fêmeas Normais
25% Machos Puros
25% Machos Portadores
Normal Pura = Machos Portadores
Portador Normal = Fêmeas Normais
25% Fêmeas Puras
25% Fêmeas Normais
25% Machos Normais
25% Machos Portadores



ACASALAMENTO DE CANÁRIOS RECESSIVOS
BRANCO RECESSIVO - OPAL - INOS


MACHOS X FÊMEAS
Puro Pura = Machos e Fêmeas Puras
Portador Pura = 50% Machos e Fêmeas
50% Portadores Machos e Fêmeas
Normal Pura = 100% Portadores Machos e Fêmeas
Puro Portadora = 50% Puros Machos e Fêmeas
50% Portadores Machos e Fêmeas
Portador Portadora = 25% Puros Machos e Fêmeas
50% Portadores Machos e Fêmeas
25% Normais Machos e Fêmeas
Normal Portadora = 50% Portadores Machos e Fêmeas
50% Normais Machos e Fêmeas
Puro Normal = 100% Portadores Machos e Fêmeas
Portador Normal = 50% Portadores Machos e Fêmeas
50% Normais Machos e Fêmeas

OS CRUZAMENTOS SURPRESA

Revista Pássaros nro 20/2000

Sabe-se que existem falsos lipocromos. Eles tem o aspecto de canários amarelos, brancos ou mosaicos, mas quando cruzados com lipocromos verdadeiros (com olhos pretos), produzem filhotes ditos “multicolores”.

Este é o caso típico dos Isabel-opal, nos quais a melanizaçăo é parcial, năo havendo melanina aparente, e a sub-pluma pode ser até mesmo branca.

Se cruzarmos um Isabel-opal com um branco, um amarelo, ou um mosaico, verdadeiros lipocromos (e portanto tendo um duplo fator E), nós obteremos filhotes multicolores. Eles săo freqüentemente simétricos mas, de acordo com o lipocromo escolhido, eles podem ter as asas manchadas de preto, de marrom ou de Isabel.

Isto mostra que os lipocromos englobam igualmente os quatro tipos de base preto-marrom, ágata, marrom e Isabel. Isto nos permite compreneder porque certos brancos recessivos, certos mosaicos, possuem olhos avermelhados; eles possuem fator Isabel, e isto é mostrado pelo fato que com um Isabel-opal, nós temos somente Isabel multicolores. Na ausęncia do fator E, as melaninas năo puderam se exprimir, o cruzamento permitiu a introduçăo de um fator E+, e por isto nós temos os multicoloridos.

Esta observaçăo está ligada ao fato que nós podemos ver aparecer numa linhagem de canários amarelos uma mancha preta, ou entăo marrom; no segundo caso, o canário possui fator marrom. Se um canário branco, nós verificamos uma mancha bege, nós podemos dizer que este pássaro é do tipo Isabel, etc.

Interessante observaçőes săo feitas cruzando Isabel ou opal marrom com satinados, ou ainda cruzando mosaicos com canários brancos. Os resultados destes cruzamentos nos permitem conhecer melhor os caracteres mosaico, opal ou satinado.

Somente aqui é que se apercebe das possibilidades oferecidas por pouco que se afaste dos caminhos batidos.

A INCUBAÇĂO DA CANÁRIA

A incubaçăo ou choco dura de 13 a 14 dias, é feita normalmente pela fęmea: ŕs vezes os machos, velhos pais, acabam querendo auxiliar as canárias nesta tarefa materna.

Durante a incubaçăo, o macho bom redobra de atençăo para a fęmea: leva-lhe omida no bico, canta com prazer as suas melhores melodias, e quando ela se esquece de mudar de posiçăo e arejar os ovos, vai até o ninho, como a convida-la a faze-lo.

A fęmea a cada hora ou a cada duas horas, levanta-se de cima dos ovos, pousa na borda do ninho, examina-os, e com o bico vai virando os ovos. Depois estende as pernas e as asas, como a espreguiçar-se, voa um pouco para fazer exercícios, come, bebe, excrementa e volta ao choco.

Aos treze dias a fęmea mostra-se mais inquieta, parecendo sentir as vidas novas que tem debaixo de si; os canários picam entăo o frágilovo, a măe ajudando-os a sir, despedaçando pouco a pouco a casca que os oprime, comendo-a muitas vezes.

Alguns, por falta de força, năo conseguem sair do ovo e quando a măe năo ajuda, morrem na casca. O criador experiente, pode socorre-los, levantando com muito cuidado a casca com um alfinete ou agulha desinfetada, alargando a fenda do lado do bico, mas procurando năo fazer sangue; se este aparece, suspende-se logo a operaçăo, colocando os ovos no ninho para que a măe venha aviventar côo o seu calor.

Há pássaros que levam uma hora para sair da casca, outros demoram até seis horas, que é o mais corrente; mas também há filhotes tăo fracos que só conseguem desprender-se da casca vinte e quatro horas depois de terem picado o ovo.

Assim que nascem, ou ŕ medida que văo nascendo, a canária cobra os filhos comas asas, para que enxuguem e se aqueçam. Durante as primeiras horas de vida, os filhotes alimenta-se com os restos de gema de ovo, donde provém, e que ainda lhe restam no intestino para consumir.

Năo se deve espantar as fęmeas quando estăo no ninho; para vermos os filhotes é preferível aguardar uma ocasiăo em que tenham saído a comer, ou fazem exercício.

Todos os ovos, para um bom desenvolvimento do germe, necessitam, além do calor, de um certo grau de umidade ambiente.

Os bons e maus anos para criaçăo săo especialmente conseqüęncia de um bom ou mau estado higrométrico da atmosfera sobretudo no fim da incubaçăo. Por isso somos de opiniăo, que é de boa prática borrifar levemente os ovos ou as penas das canárias, do décimo ao décimo terceiro dia com água.
Revista centro paulista de criadores de canários frisados

OS DISTURBIOS DE COMPORTAMENTO NAS FÊMEAS

O sucesso da criação depende do bom comportamento das fêmeas. Normalmente a fêmea colocada na presença do macho, faz o ninho, põe, choca os ovos e alimenta os filhotes.
O macho pode ajudar na construção do ninho e participa na alimentação dos filhotes; a sua função torna-se cada vez mais importante à medida que os filhos crescem.
Os principais problemas do comportamento concernentes às fêmeas são os seguintes:
- A fêmea não põe
- A fêmea destrói constantemente o ninho
- A fêmea põe fora do ninho
- A fêmea põe sem parar
- A fêmea põe, mas não incuba
- A fêmea pica os ovos
- Os filhotes são atirados para fora do ninho
- Os filhotes são pouco ou mal nutridos
- A fêmea pica os filhotes

Analisemos os diferentes casos.

A FÊMEA NÃO PÕE
Normalmente a postura é desencadeada pela visão do ninho; ela é favorecida pela presença do macho. Na ausência de ninho, a presença dum recipiente côncavo pode incitar a fêmea a por; até pode pôr num comedouro.
Mas é necessário que a fêmea esteja pronta para pôr, mesmo que o seu ovário contenha os futuros óvulos. Isto supõe que a temperatura e a luz tenham variado normalmente como aquelas produzidas na Primavera. Muita luz e sem muito calor ou o inverso, muito calor e pouca luz, provocam uma alteração do ciclo sexual, que é frequentemente acompanhada por uma muda parcial.
Se a fêmea não põe, malgrado a presença do ninho e do macho, pode-se mudar o macho e trocá-lo por outro mais ardente, mais viril. Se o comportamento da fêmea não muda, é necessário troca-la por uma outra.
A melhor fêmea é uma de dois anos, cujo comportamento terá sido testado no ano anterior. Uma fêmea muito velha pode estar inapta à postura: torna-se estéril.

A FÊMEA DESTRÓI O NINHO CONSTANTEMENTE
A maioria das fêmeas constrói metodicamente o ninho: empregam materiais grosseiros, depois materiais finos para o acabamento. Algumas começam a construção do ninho sem contudo acabar: elas confundem frequentemente os materiais e finalmente o primeiro ovo é posto num ninho inacabado e muito mal feito. Geralmente este comportamento é hereditário. Ele persiste de ano a ano. A fêmea não sabe fazer o ninho, porque nasceu, geralmente, num ninho mal feito.
O criador deve intervir para terminar o ninho ou oferecer à fêmea um ninho completamente feito.
No caso dum ninho de canários, pode-se colocar um ninho de fibras de coco comprado no comércio. Aos exóticos pode-se oferecer um ninho bola, em vime, no interior do qual se cola um revestimento macio, que o pássaro não poderá arrancar. Geralmente o criador contenta-se em terminar o ninho, colocando um suplemento de materiais e construindo uma cavidade para os ovos. Ele pode obter esta cavidade, fazendo rodar uma maçã no ninho, ou moldando com sua mão.
Como no curso de criação, o ninho se suja, ele não pode hesitar em mudar o revestimento no momento em que ele se torne muito sujo. Os filhotes têm necessidade de asseio e esta limpeza agirá sobre o comportamento de adulto. Isto é sobretudo necessário quando o número de filhotes é importante. Isto é indispensável no momento em que os filhotes defecam sobre as paredes do ninho e quando os pais penetram no ninho para alimentá-los.

A FÊMEA PÕE FORA DO NINHO

Sucede que uma jovem fêmea põe fora do ninho, seja sobre o fundo da gaiola, seja num comedouro. Ela não compreendeu a função do ninho que o criador lhe ofereceu, e não o adoptou.
O mais simples é colocar o ovo no ninho onde ele deveria ser posto; faz-se o mesmo para o segundo ovo, e assim por diante até a obtenção duma postura normal. Se a postura se faz num comedouro, tira-se o comedouro à noitinha, uma vez que a postura tem geralmente lugar ao nascer do dia. Para seduzir a fêmea no ninho, pode-se aí colocar um ovo claro (dum outro casal) ou um ovo falso. Quando se trata dum ninho caixa, junta-se materiais que se deixam passar pela abertura; esses materiais excitarão a curiosidade da fêmea, que visitará então o ninho.
É possível que a fêmea não ponha no ninho, porque está infestado pelos piolhos ou porque não é suficientemente próprio. O asseio é necessário e é preciso então mudar ao menos o revestimento do ninho, entre duas ninhadas.

A FÊMEA PÕE SEM PARAR
Encontra-se no ninho um número de ovos anormal. No caso de uma espécie onde o macho e a fêmea são parecidos, é possível que o casal compreenda duas fêmeas. É necessário sexar atentamente os pássaros.
Mas num casal normal, a fêmea pode pôr numerosos ovos. Geralmente são ovos claros e isto ocorre porque quando uma primeira postura era feita de ovos claros, a fêmea continuava a pôr.
Uma observação atenta do número de ovos teria permitido ao criador ver que não se trata duma só postura, mas de duas sucessivas separadas por 5 a 6 dias. Algumas fêmeas são capazes desde o 5º dia de reconhecer se um ovo está claro ou não; neste momento elas podem abandonar o ninho ou pôr de novo.
Uma perturbação do comportamento pode explicar uma postura abundante e contínua. A fêmea é vitima dum desarranjo endócrino. Normalmente quando a postura atingiu a cifra própria à espécie (5a 6 ovos no máximo), uma inibição se produz e isto bloqueia a produção de óvulos pelo ovário. Em alguns pássaros mais sensíveis que outros, o bloqueio tem lugar mais cedo e a fêmea põe menos ovos. A postura torna-se contínua quando o bloqueio não tem lugar. É necessário tirar a fêmea e trocá-la por uma outra. Esta perturbação desaparece geralmente quando a fêmea é colocada em viveiro não contendo qualquer ninho, sobretudo na ausência de machos. Pode também atenuar-se pouco a pouco: a fêmea podendo pôr ainda alguns ovos num comedouro, antes de se tirar definitivamente.

A FÊMEA PÕE MAS NÃO INCUBA
Esta perturbação pode ter várias causas:
O desenvolvimento é desfavorável: há muito barulho ou a fêmea está inquieta. Pode ser suficiente mudar o lugar do ninho ou aquele da gaiola: a primeira ninhada estará perdida, mas uma segunda será levada a termo. A fêmea não choca porque os ovos estão claros, e isto porque ela não foi coberta pelo macho. É necessário tirar os ovos e aguardar uma segunda postura. Se a fêmea não choca, é preciso mudar o macho. O melhor macho é aquele que não somente cobre frequentemente a fêmea, mas também que a ajuda a ir para o ninho. Alguns machos chocam tanto e mesmo mais que a fêmea, mas o mais frequente e necessário é que a fêmea comece a chocar.

A FÊMEA PICA OS OVOS

Acontece quando os pássaros comem os ovos. O criador que constata a presença dum ovo e não o vê no dia seguinte ou quando o número de ovos diminui. Frequentemente não fica nenhum traço do ovo desaparecido: ele foi comido. Um pássaro pode muito bem comer um ovo. Ás vezes um filhote eclode e não se acha a casca: ela comeu-a, e isto evita que ela atraia a atenção dum predador, o que pode ter lugar quando a casca vazia é lançada fora do ninho. Sabe-se assim quando os pássaros de gaiola podem consumir os fragmentos de cascas; esses fragmentos dados pelo criador são uma fonte de cálcio. Por prudência, ele vai dar o melhor, (por ex. ostras trituradas ou fragmentos de cascas de ovos...)
É normal que um ovo seja comido depois de ter sido posto. Geralmente, o criador acusa o macho. Pensa-se que o macho viu no ovo um corpo estranho que ele quer tirar do ninho; o ovo é quebrado e comido. Isto é possível, mas a fêmea pode comer os ovos. É o que tenho constatado com um casal de mandarins. Para saber se comia o ovo, coloquei sobre a casca um produto utilizado para impedir as crianças de roer as unhas. Um primeiro ovo desapareceu sem problema aparente nos pássaros. Porém após o desaparecimento dum segundo ovo, a fêmea foi gravemente intoxicada, enquanto que o macho ficou normal. A mãe era, pois, culpada. É preciso, então, no momento em que os ovos desaparecerem depois de terem sido postos, tirar a fêmea e trocá-la por uma outra.

OS FILHOTES SÃO LANÇADOS PARA FORA DO NINHO

Acontece quando os filhotes são encontrados fora do ninho, sobre o fundo da gaiola.
Frequentemente apresentam feridas provocadas por cortes de bico.
No momento em que o criador se apercebe, rapidamente deve colocar os filhotes no ninho.
Podem cair acidentalmente ou ser assassinados pelas patas da fêmea, quando abandona muito brutalmente o ninho. É necessário então evitar assustar a fêmea que choca, e cuidar para que o ninho seja suficientemente profundo.
Mas é possível que os filhotes tenham sido lançados para fora do ninho por um dos pais. Pouco depois da eclosão, o principal culpado é o macho; ele não reconhece no filhote o produto dum ovo, e lança-o para fora numa preocupação de propriedade, ou de defesa do ninho. Neste caso, é preciso tirar o macho, esperando-se que todos os filhotes tenham eclodido e chegado a ser bastante grandes. No Diamante Gould, mais sujeito ao stress, o macho pode reagir a uma perturbação (barulho, visitante estranho...), lançando os filhotes pouco depois.
No momento em que os filhotes estão emplumados e prontos para sair do ninho, podem ser lançados pela fêmea desejosa de limpar o ninho para tornar a pôr. Algumas fêmeas tornam a pôr num ninho ocupado, mas outras expulsam os filhotes a golpes de bico. O sangue pode ocasionar a picagem: os filhotes se estiverem ainda depenados podem morrer.

OS FILHOTES SÃO POUCO OU MAL ALIMENTADOS
O crescimento dos filhotes é programado; se ele é retardado, os pais podem abandoná-los. Na natureza um retardamento no crescimento corresponde a uma doença ou ainda afecta o último nascido; esses pássaros estão condenados; eles não darão jamais um adulto robusto; os pais têm pressa de fazer uma nova ninhada, e cessam de alimentar os atrasados. Este comportamento permite a selecção natural indispensável à sobrevivência da espécie.
Na criação, o atraso de crescimento tem as mesmas causas, mas o abandono é menos brutal.
Um pássaro cego será alimentado tanto quanto será capaz de pedir com insistência sua alimentação: cessará de o ser quando não virar mais o bico do lado certo. Os filhotes debilitados por uma doença (frequentemente colibacilose) serão cada vez menos alimentados visto que eles terão cada vez menos força para pedir, levantar a cabeça e abrir o bico.
No que concerne aos filhotes de crescimento mais lento numa ninhada, trata-se de mutantes, ou de últimos nascidos. Para salvá-los, o criador confiá-los-á a outros pais, que tenham filhotes no mesmo tamanho. Para que todos os filhotes duma ninhada sejam salvos é necessário que a ninhada fique homogénea, isto quer dizer que todos os filhotes cresçam regularmente.
Pode-se activar o crescimento dos filhotes, dando-lhes uma pasta enriquecida em vitaminas. No início do crescimento, os protídios devem representar perto de 25% da ração; a seguir sua taxa deve diminuir regularmente em benefício dos glucídios (amidos dos grãos). Na natureza, os pássaros aí compreendidos, os granívoros, fornecem aos recém-nascidos uma alimentação muito rica à base de insectos e de pólen, bem como filhotes de larvas e grãos germinados. Por conseguinte, eles dão mais grãos de amoras.
Se é necessário, em caso de doença, utilizar um antibiótico, ele deve ser associado a uma mistura vitaminada e de grãos germinados. Um antibiótico pode provocar uma carência em vitaminas e retardar o crescimento.

A FÊMEA PICA OS FILHOTES

Dissemos que a fêmea desejosa de pôr pode expulsar os filhotes para fora do ninho e picá-los para arrancar-lhes as penas. Esta hostilidade cessa no momento em que os filhotes deixam o ninho, salvo se o sangue correu. No último caso, a visão do sangue tem um efeito agressivo: ele estimula a picagem. É necessário isolar o filhote, tirar a pena que sangra e colocar um pó bactericida sobre a ferida.
Filhotes machos podem ser igualmente picados pelo pai que o deseja expulsar. Se os filhotes devem ser deixados na presença dos pais, é necessário dispor duma gaiola suficientemente grande ou colocar uma separação através da qual os pais poderão alimentar os filhotes. Quando uma gaiola é muito pequena, os pais têm tendência a picar os filhotes. Pode-se também evitar isto, colocando os pais e os filhotes que deixaram o ninho numa outra gaiola, onde não haverá ninho.

CONCLUSÃO

Os distúrbios de comportamento não são raros numa criação. Isto vem do fato de que se está longe das condições naturais bem como em matéria de ambiente, quer de material ou de alimentação. Cuidados de atenção e a experiência permitem evitá-los ou tratá-los. A maior parte dessas perturbações não são hereditárias e não duram de ano a ano. O criador deve ter interesse em possuir muitas fêmeas e vários machos de reserva; mudam o macho ou a fêmea sendo este o meio mais eficaz para pôr fim a uma distúrbio de comportamento que torna um casal improdutivo.

Princípios de Genética

Qualquer pessoa, logo que pense em fazer criação de canários, começa a tentar compreender algumas regras básicas para acasalamento destas aves.

Devo desde já adiantar que esta não é uma área muito fácil de entender visto a genética ser uma ciência bastante complexa e em evolução.
De qualquer forma, mesmo pequenos conhecimentos, são excelentes para a criação de canários.
Para começar, penso que será benéfico clarificar alguns termos utilizados:
Gene: factor de transmissão de caracteres hereditários constituindo uma unidade independente.
Genótipo: totalidade de genes, composição hereditária de um individuo através de herança paterna e materna.
Fenótipo: aspecto determinado pelo genótipo e por modificações eventuais (por exemplo, derivadas de condições ambientais).
Carácter hereditário: qualquer característica de um serviço susceptível de ser transmitido a sua descendência.

A herança genética, genótipo, de um individuo já se encontra no ovo. O Óvulo é que tem a herança genética da mãe, o Espermatozóide tem a herança genética do pai, e da união destes é que resulta o OVO.
Heterozigotia é quando os genes do pai e da mãe são diferentes.

Num caso de heterozigotia o filho, apresenta, ou o carácter do pai, ou o carácter da mãe, ou apresenta uma situação nova resultante de combinação dos genes do pai e da mãe.

O ser dominante ou recessivo,na maioria das situações,nada tem a haver com qual dos progenitores é que tem a caracteristica, e não é por ser do pai, que tem o nome de dominante...

Dizemos ainda que esse filhote é portador do carácter recessivo da mãe, porque o tem no seu genótipo, mas não se manifesta.
Se o que surge e uma mistura dos dois caracteres (do pai, da mãe) dizemos que não há predominância.

Por vezes, a informação que um gene contem altera-se, passando a transmitir uma informação diferente dando-se o que se chama uma mutação aberração cromossómica ou alteração genética.
Estes acidentes genéticos, tais como alteração, eliminação, duplicação, trissomia de par ”crossing-over” são bastante complexos não cabendo tais explicações no âmbito deste pequeno texto.

O ”crossing-over” permite obter canários Isabel cruzando-se canários canelas com Ágatas.

O sexo dos canários é também determinado pela combinação de genes.

Desta forma, talvez seja possível entender-se os caracteres ligados ao sexo.
O macho pode ser Puro Portador ou Normal e a fêmea pode ser Pura ou Normal.
Nem todos os caracteres são ligados ao sexo.
Chama-se factor letal, aqueles caracteres que quando se apresentam em homozigotia (igual no macho e nas fêmeas) conduzem a morte do embrião.
Estão nesse caso duas situações muito importantes:
– Caráter Branco-Dominante;
– Caráter Intenso.

Segue-se uma lista de factores dominante e recessivo:
Dominante / Recessivo
Oxidação / Diluição
Não Pastel / Pastel
Não Opal / Opala
Não Ino / Ino
Não Satiné / Satiné
Nao Marfim / Marfim
Não Branco / Branco
Intenso / Recessivo

Eumelanina Negra / Eumelanina Castanha
Negros Castanhos / Castanhos
Negros Castanhos / Ágatas
Negros Castanhos / Isabel
Ágatas / Isabel
Castanhos / Isabel

Factores onde não se manifesta qualquer dominância
Presença de refracção / Ausência de refracção
Presença de melanina / Ausência de melanina
Factor vermelho / Factor Amarelo

Caracteres não ligados ao sexo:
O factor que determina a presença da melanina; o factor Ino; o factor de refracção; o branco dominante; o branco recessivo; o factor opala; o factor intenso: o factor amarelo e o vermelho.

Caracteres ligado ao sexo:
O factor que determina a presença de eumelanina negra: o factor determinante da diluição (Ágata Isabel); o factor determinante do efeito pastel; o factor marfim; o efeito Satiné.

As Aves e a luz

É do conhecimento de todos os canaricultores que a luz desempenha um papel fundamental na saúde das aves. A luz e os seus ciclos (fotoperíodos) são usados por todos os animais para sincronizar os seus relógios biológicos. Os seus efeitos positivos não só ajudam a manter a saúde psicológica mas também permite a produção da Vitamina D-3. É conveniente dizer que os raios ultravioleta, responsáveis pela produção desta vitamina, não passam através dos cristais. O excesso de Vitamina D-3 (por exemplo: abuso no óleo de fígado de bacalhau) pode ser tóxico, pelo que as aves alojadas no exterior não necessitam de suplementos desta vitamina.
A fotoperiodicidade foi bastante estudada nas aves como meio para manipular o seu período de reprodução. O fotoperíodo é mais importante nos climas temperados onde a mudança nas horas é maior. Os animais que vivem nas zonas equatoriais têm uma variação de luz menor, aproximadamente de 20 minutos, no entanto os animais sentem esta mudança. Os fotoperíodos feitos nas épocas erradas ou quando se prolongam em demasia (aves na cozinha por exemplo) vão alterar os comportamento das aves.

Os avicultores vão manipular a duração das horas de sol por motivos claros:
- Aumentar a produção;
- Permitir que as crias façam a muda a tempo com o intuito de estarem prontos para as exposições.

Os canários necessitam no mínimo de 14 a 16 horas de luz para começar a criar. Com esta quantidade de luz é possível ter crias de forma correcta. Se o fotoperíodo sofrer uma grande alteração as aves podem parar de criar e começar uma muda prematura.


Há duas formas de manipular a duração do dia:

- Aumentar de forma gradual o número de horas a que os canários estão sujeitos: cada dia aumenta-se o número de minutos ao amanhecer e ao anoitecer. Normalmente só ao fim de meses é que se consegue ter aumentado 8 a 10 horas até às 15 horas desejadas. Aumentando 30 minutos por semana levará 10 semanas a atingir o número de horas pretendidas.
- Aumentando de imediato a duração do dia: de um dia passamos de 10 a 15 horas. Nesta situação as aves começam a criar ao fim de 3-4 semanas, no entanto existe a possibilidade de obter piores resultados: má fertilização na primeira postura. Observou-se que mais de 17 horas de luz os resultados são negativos.

O aumento gradual do número de horas é mais natural e oferece melhores resultados.

Para finalizar, é conveniente referir que são necessárias mais investigações para conhecer por completo todos os efeitos benéficos sobre a saúde das aves que o espectro solar têm.


Por Enrique Moreno Ortega, Veterinário especialista em aves
Tradução: Ivo Leite