6 de jul de 2011

TÉCNICAS PARA IDENTIFICAÇÃO DAS NOVAS MUTAÇÕES

 Fernando Fernandes Teixeira
Revista Brasil Ornitológico nro39



Existe muita expectativa quanto as novas mutações, inclusive muito artigos já foram escritos, no entanto, as duvidas são muitas por parte dos criadores.
Na última viagem que fiz a Itália, estive com meu amigo Arnaldo Araújo visitando um famoso criador em Correggio, considerado por muitos brasileiros e italianos como o melhor criador de canários do mundo, e presenciamos (alias, participamos) uma cena muito interessante. Esse criador estava selecionando alguns casais de canários para seu plantel, havendo duas gaiolas, uma com canários Ágatas Pasteis Prateados e outra com canários Ágatas Topázios Prateados. Os Ágatas Pasteis eram canários bem limpos, sem feomelanina, com bom desenho. Os Ágatas Topázios também eram limpos com estrias finas e bem escuras. Naquele momento, perguntei a esse criador se não existia uma certa confusão na identificação desses canários. Então ele me respondeu que não, pois o Ágata Pastel e bem mais escuro que o Topázio; que o Topázio tem o desenho mais claro, bem como a cor dos olhos e diferente.
Pois bem, sem ele perceber, apanhei um Ágata Pastel, um canário de qualidade media, e com outra mão apanhei um Ágata Topázio macho, bem marcado e com olhos um pouco escuros e pouca melanina central. Indaguei a esse criador qual era o Ágata Topázio e qual era o Ágata Pastel. Para minha surpresa e do Arnaldo, o criador inverteu as cores. Então perguntei novamente, e mais uma vez a resposta foi trocada. Na verdade, acho que qualquer criador ou juiz poderia também encontrar uma certa dificuldade na identificação. Diante desse quadro acho que temos que fazer alguma coisa, quer seja no padrão de julgamento quer seja nos acasalamentos, para que essas mutações sejam melhor caracterizadas e não surjam duvidas. As mutações Topázio e Eumo podem ser identificadas pela cor dos olhos e também pela forma de atuação da melanina.

Analisando a cor dos olhos:
Uma forma muito interessante de identificar a cor dos olhos dos canários, acredito que totalmente desconhecida dos brasileiros e que nos foi demonstrada na Bélgica pelo Sr. Lemy, e através do uso de uma pequena lanterna. A técnica consiste em fazer incidir o facho de luz diretamente no olho do pássaro, de forma que a lente fique bem próxima a ele, e olhando o outro olho verifica-se se ha reflexo da luz, de preferência em um ambiente um pouco escuro. Nos canários Topázios, observa-se que a cor e vermelho-rubi escuro, nos Negro-Marrons Oxidados, e vermelho-rubi claro nos Ágatas. Nos Ágatas Eumo a cor dos olhos e o vermelho normal (vivo), como nos Acetinados, e nos Negro-Marrons Oxidados e um pouco mais escuro, mas de fácil identificação.
Com essa técnica, pode-se ver claramente que os Topázios tem a cor dos olhos avermelhada (quem os cria sabe que nascem com olhos bem vermelhos, como Feos) e não negra, como já citado em vários artigos e ate em livros técnicos.

Analisando a melanina:
Topázios: Esse fator atua reduzindo e modificando a eumelanina negra e reduzindo a eumelanina marrom e a feomelanina. Modifica também a cor do bico, das patas e unhas, tornando-os cor de canela nos Negro-Marrons Oxidados e cor de carne nos Ágatas.
A característica principal do fator Topázio e a redução da melanina com concentração no eixo das penas, visível com nitidez principalmente nas penas longas da cauda. Por isso foram chamados inicialmente de ”Feos de melanina central”. Entendo que este e o item que tem que ser mais valorizado nos canários Topázio, pois não adianta o pássaro ter o desenho dorsal típico e ser isento de feomelanina, mas se não apresentar com nitidez a ”melanina central”, devera ser fortemente penalizado.
Tenho observado nos campeonatos brasileiros que o número de exemplares Topázios, principalmente Ágatas, esta aumentando significativamente, tanto em qualidade como em quantidade. No entanto, acho que ainda, apesar de terem desenhos de dorso muito bons, com isenção de feomelanina, falta redução e concentração da melanina no eixo das penas longas, característica fundamental dessa mutação. Penso que para evitar duvidas de identificação e melhorar o tipo dos Topázios, os cruzamentos deverão ser feitos com pássaros que apresentem muito bem a redução e concentração da melanina, principalmente nas penas longas da cauda.

Eumos:
E um fator que provoca a diluição da eumelanina nas estrias, tornando-as um pouco mais estreitas e modificando sua tonalidade, deixando a envoltura do pássaro mais clara, porque o lipocromo torna-se mais visível no espaço entre as estrias. Provoca também uma sensível redução da feomelanina. Inibe o deposito de melanina nas partes córneas, deixando-as com cor de carne.
Para identificação dos canários Eumos Ágata ou Negro-Marrom Oxidado, em primeiro lugar verificamos se a cor dos olhos e vermelha, e em segundo lugar a cor da melanina nas estrias: se for negra (cinza escuro) trata-se dos mutantes Eumos Ágata, Cobre, Verde ou Azul, pois os outros dois fatores de ”albinismo” ( ino e acetinado), quando introduzidos nos Negro-Marrons Oxidados ou Diluídos, provocam a inibição total da melanina negra, deixando o pássaro atípico ou isento de melanina negra no caso dos Feos.
Cabe ressaltar, Marrons Oxidados Eumos, a cor dos olhos e mais escura que a dos Ágatas Eumos, mas mais clara que nos Topázios, e o tipo (desenho) e parecido com o de um Pastel equivalente.
Particularmente acho que essa mutação e bem mais interessante do que a Topázio, pois pelo fato de somente provocar diluição da melanina negra, o contraste existente no pássaro com desenho negro ou cinza escuro com os olhos vermelhos e muito bonito.
Acredito que no futuro, através de acasalamentos altamente seletivos, objetivando somente a redução da melanina - tornando-se a cor das estrias mais escuras, com pouca diluição, e sem provocar o escurecimento dos olhos, teremos pássaros ainda mais impressionantes.
Outras considerações:
-Tratam-se de mutações Autossomais Recessivas, portanto não ligadas ao sexo;
-Os Isabeis e Canelas Topázios, bem como os Isabeis Eumos, não concorrem porque os pássaros não tem padrão definido;
-Quanto a mutação Canela Eumo, não fiz nenhuma consideração porque ainda não vi nenhum pássaro, faltando-me conhecimento técnico para poder emitir qualquer opinião.

Observando as Melaninas

Anuário Técnico Oficial - 4C - Junho 2004
Por Álvaro Blasina

Para efeitos de classificação, dividem-se os canários de cor em dois grandes grupos á saber:1. Canários de linha clara (ausência total de melaninas)2. Canários de linha escura (presença de melaninas)Chamamos tecnicamente de "tipo", o conjunto de manifestações melânicas visíveis na plumagem, pés e bico de todos os canários chamados de linha escura.Dentro dos canários da linha escura, existe o grupo dos chamados clássicos, que são: os azuis, verdes, cobres, ágatas, canelas e isabéis, e as respectivas mutações, que são: pastéis, opalinos, feos, acetinados,asas cinza, topázios, onix e eumo.Os pigmentos melânicos tem origem proteica e basicamente se dividem em 3 grupos:* Eu melanina negra
* Eu melanina marrom
* Feo-melaninaEmbora o tipo seja avaliado num único item na planilha de julgamento, a
sua análise envolve um conjunto de características que os pássaros da
linha escura apresentam, e a sua compreensão é fundamental para o
sucesso na seleção, julgamento e acasalamento.Para analizar o tipo dos canários, devemos subdividir os diferentes
tópicos que irão compor o conjunto de pontos à serem atribuídos à cada
exemplar.Assim sendo, temos os seguintes elementos:* Desenho
* Envoltura
* Teor melânico em pés e bicos (unicamente para exemplares negro-marrom oxidados)
* Presença de feo-melanina

DESENHO


Chamamos tecnicamente de desenho, à duas manifestações diferentes:1. desenho originário das eu-melaninas (negra ou marrom)
2. desenho originário das feo-melaninas periféricas
3. desenho originário das feo-melaninas centrais (topázios)Uma das características das eu-melaninas (negra ou marrom) é o seu
depósito no centro das penas do dorso, cabeça e flancos, aferindo aos
canários desenhos característicos, que variam de acordo com cada cor.Basicamente, nos canários chamados de "oxidados" (azuis, verdes, cobres
e canelas) ele deve se apresentar o mais largo e contínuo possível, e
nos canários diluídos (ágatas e isabéis) deve ser fino e entrecortado.Quanto mais expressivo o desenho se apresentar em todas as regiões de
eleição (dorso, cabeça e flancos) mais valorizado será o exemplar.O desenho tem uma tendência à variar de largura em todos os pássaros
dependendo deles serem intensos, nevados ou mosaicos. A estrutura das
penas de cada um deles é diferente, o que redundará num desenho mais ou
menos largo entre um exemplar e outro.Assim sendo, os canários intensos tem em média desenho mais fino do que
os nevados, e estes por sua vez, mais fino do que nos mosaicos.A cor e tonalidade do desenho dos canários, varia muito de acordo com cada cor ou mutação.Sugerimos consultar o Manual de Julgamento de Canários de Cor da OBJO,
onde essa tonalidade é descrita para cada cor clássica e suas mutações
(azuis, verdes, cobres, canelas isabéis e as mutações pastel,opalino,
acetinado onix, eumo, etc.).A única exceção de desenho eu-melânico é a dos canários "asas cinza",
onde por efeitos de seleção, e partindo de canários pastéis
negro-marrons oxidados, a melanina negra se deposita prioritariamente
na borda das penas, conferindo à plumagem uma característica própria de
pigmentação, ficando o centro das penas claro e a borda mais escura.Com referência às feo-melaninas, existem 2 manifestações diferentes no que refere ao desenho:1. canários feo
2. canários topázioOriginalmente, as feo-melaninas (de cor marrom ferrugem) se apresentam na borda das penas.Considerando que os canários feo inibem a manifestação de eu-melanina e
somente possuem na sua plumagem feo-melanina, o desenho dos mesmos
coresponde à características de "escamação" na cor da plumagem.À través de seleção genética, foram obtidos exemplares que depositam
feo-melanina no centro das penas chamados de "topázio" cujas
caracterísitas de desenho obedecem as descrições dos canários com
eu-melanina, respeitando a tonalidade própria referente à esta mutação.

ENVOLTURA


Embora muito se associe a presença de eu-melanina como sendo a
responsável pelo desenho dos canários, ela também se manifesta na
característica chamada de envoltura.Podemos chamar de envolutra.a presença eu-melâica dispersa na plumagem, que não seja o desenho.Se observamos um canário cobre intenso ou canela vermelho intenso,
veremos no seu peito, uma coloração muito mais escura do que o
lipocromo vermelho. Embora não exista nessa região nenhuma manifestação
de desenho, vemos que existe uma tonalidade escura misturada com a cor
vermelha. Essa manifestação, está presente em toda a plumagem desses
exemplares.Nos canários chamados oxidados (azuis, verdes, cobres e canelas),
quanto mais oxidada seja a envolutra, maior a valorização no item
"tipo" na planilha de julgamento.Já nos canários chamados de "diluídos" (ágatas e isabéis), quanto menor
ou menos oxidada a envolutra, maior será a sua valorização.Por ser a envoltura uma característica das eu-melaninas, não se deve
avaliar envoltura nos canários feos, uma vez que eles não apresentam
qualquer vestígio de eu-melanina.

TEOR MEIANICO EM PÉS E BICOS


A presença de melanina nos pés e bicos dos canários somente fica
nitidamente visível nos canários negro-marrons oxidados (azuis, verdes
e cobres) com exceção dos feos e topázios.Assim sendo, em todos os outros casos, tanto nos clássicos como nos
mutados, se valoriza a maior presença de melanina (pés e bicos o mais
escuros possível).

PRESENÇA DE FEO-MELANINA


A presença de feo-melanina periférica é penalizada na maioria dos
canários da linha escura com a exceção dos canários canela pastel, e
feo.Nos canários canela, deve se prestar bastante atenção na avaliação,
pois a tonalidade da envoltura e a presença de feo-melanina podem ser
confundidas já que ambas são de cor marrom e a diferença de tonalidade
entre ambas é muito sutil.

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