3 de dez. de 2010

Como acasalar Periquitos Ondulados

Como acasalar Periquitos Ondulados


Formar os casais de Periquito é das tarefas se maior importância para um criador. Criador que não saiba formar casais nunca terá bons pássaros, podendo tirar alguns bons, por sorte, mas serão sempre excepção à regra. Neste artigo pretende-se mostrar a importância do método do acasalamento, da consanguinidade para a obtenção de melhores resultados e da importância da existência de registos detalhados sobre as aves.

Quando um criador começa a dar os primeiros passos na criação de Periquitos, o seu objectivo é a produção de Periquitos. Nesse patamar, o objectivo principal é a quantidade, sendo o único patamar em que a quantidade virá antes de a qualidade. É o patamar em que o criador aprende a criar Periquitos. Felizmente para os novatos, os pássaros de qualidade inferior são mais prolífico e assim quando aumenta a qualidade e as dificuldades na criação, a experiência também é maior.

Depois do período de aprendizagem inicial, a avaliação das boas características que são requeridas para um pássaro, será adquirida gradualmente. Mas por a evolução ser gradual, o modo de seleccionar os casais será também diferente ao longo do tempo. O objectivo deixará de ser produzir em quantidade, e passará a ser a melhoria da qualidade e em desenvolver as características que caracterizam os Periquitos de exposição. Nesta altura cada casal que se forma, tem o objectivo de produzir jovens melhores que os seus pais e que serão mostrados em exposições ou utilizados para produzir novos pássaros no ano seguinte.

A qualidade dos casais

O acasalamento de bons pássaros não implica que só produzam crias de boa qualidade. Muitas vezes acontece precisamente o contrário. Como em muitas outras de espécies de aves ou outros animais, esta teoria verifica-se, havendo uma certa tendência para que cada espécie regrida no sentido da espécie original, tanto na forma e tamanho como na cor. Assim, nos periquitos existe uma força natural para que o periquito volte à sua forma original em tamanho e forma e as próprias variedades tendem a desaparecer, voltando-se ao Verde Claro. Claro que isto é uma tendência e assim se tivermos um casal de pássaros muito bons é de esperar que apenas uma pequena percentagem as crias sejam de qualidade igual ou superior à dos progenitores.

Para contrariar esta tendência, é indispensável que só os melhores pássaros sejam usados para a reprodução. Ao mesmo tempo os pássaros devem estar relacionados entre si, ou seja, sejam do mesmo sangue. A existência de consanguinidade é a melhor garantia de fixar determinadas características, evitando que desapareçam. Devem ser introduzidos pássaros de outro sangue se forem de qualidade superiores aos existentes, tornando-os reprodutores principais e cruzando-se os seus descendentes de modo a tentar fixar as características da ave introduzida.

Para entendermos a teoria de que a consanguinidade é fundamental na melhoria da qualidade das nossa aves, temos que entender que a maioria das características boas e más das nossas aves transmitem-se de forma recessiva. Se nos aparecesse no ninho um pássaro com uma variedade nova, o que deveríamos fazer para preservar essa nova variedade é acasalar esse pássaro com o seu pai ou com a sua mãe. As variedades podem ser dominantes, ligadas ao sexo ou recessivas. Se essa nova variedade for recessiva este é o único processo de ter mais aves dessa nova variedade, se não, é a melhor maneira de tirar um maior numero de aves dessa nova variedade. Suponhamos que essa nova variedade é recessiva e que a ave é uma fêmea e que acasalada com o pai não produz crias dessa nova variedade. Então significa que o gene vem da mãe e como não se pode acasalar mãe com mãe, teremos de acasalar esta ave com um dos seus filhos para perpetuarmos essa nova espécie. Com este exemplo é fácil de entender com a consanguinidade é fundamental para mantermos uma nova espécie. Com as boas e más características nos Periquitos passa-se a mesma coisa. Se temos um pássaro muito bom e queremos que as suas características passem para as crias, a única solução viável é o uso da consanguinidade. O que temos de ter em conta é que isto só se deve fazer com aves muito boas, porque o que acontece com as características boas acontece com as más e temos de ter muito cuidado para não darmos ênfase às más características dos Periquitos mas sim às boas. É aqui que está um dos grandes dilemas na elaboração dos casais.

Características específicas

Ao longo do tempo, o criador descobrirá que determinadas famílias de pássaros mostrarão características específicas como resultado da reprodução dos indivíduos dessas famílias. Estas poderiam manifestar-se tanto em fêmeas melhores do que os machos ou em normais de boa qualidade e canelas de pior qualidade, por exemplo. Nestes exemplos o processo de selecção das aves a manter ou a dispensar é feito de acordo com estes resultados. A maneira de tirar proveito das linhas de sangue é ganhar o conhecimento de forças e de fraquezas de cada família e combiná-los então na tentativa de fortalecer a criação

Para uma pessoa que está a dar os seus primeiros passos neste passatempo, o uso do inbreed é limitado já que, na maioria dos casos, os antecedentes de cada pássaro em questão não são bem conhecidos. O objectivo de todos os criadores deve ser desenvolver uma família de pássaros da sua própria origem. O melhor ponto de partida para começar para este exercício é ter um macho muito bom que seja altamente fértil e seja prepotente. Prepotência significa simplesmente que tem uma capacidade em acasalar para transmitir as suas características boas à sua prole. Mais uma vez, este pareceria ser um processo simples mas infelizmente, é mais provável falhar do que ter bons resultados, já que machos prepotentes de qualidade superior são muito poucos e é melhor é prosseguir lentamente e com cuidado. O primeiro objectivo seria a consistência dum grupo de pássaros e quando a qualidade tem um alicerce comum, então o verdadeiro avanço pode começar.

Pássaros obtidos através de bons casais sem parentes em comum tendem a regredir alguns anos. Também, no geral, os pais contribuem em partes iguais para o resultado das crias e é evidente que um grau de maior consistência pode ter como consequência crias com mais características comuns dos seus pais. Com uma regularidade surpreendente, a natureza faz com que aquelas características que vemos como faltas nos nossos pássaros venham à superfície. Uma selecção cuidadosa usando a perícia de cada criador para erradicar tantas dessas faltas quanto possível, é o caminho para produzir pássaros campeões.

Duas áreas de observação

Nesta base existem duas áreas distintas de observação na selecção de casais aceitáveis. O primeiro tem a ver com os atributos de cada pássaro desde a aparência e ponto de vista do pedigree para cada pássaro. Este critério permitir-nos seleccionar um casal compatível e equilibrado com o objectivo de produzir melhores crias. O segundo, que é igualmente importante, é a consideração a ser feita na altura de acasalar os pássaros assegurando a voluntariedade e capacidade dos pássaros em se reproduzirem.

Quando dois pássaros são seleccionados para serem acasalados, uma das primeiras considerações a ter em conta deve ser baseada na sua compatibilidade visual com muita ênfase para evitar a duplicação de faltas. Aquilo que se pode observar numa ave é uma parte da composição genética da ave, já que existem muitas outras características genéticas escondidas. É neste ponto que surge a necessidade da existência dum sistema organizado de criação, tão extenso quanto possível, que é um requisito essencial para que um criador possa estar ciente da natureza destas características escondidas. Neste contexto os nossos pássaros não são muito amáveis porque escondem os seus pontos maus ao longo de gerações ao lado dos bons e deste modo qualquer um pode emergir.

Um sistema de criação organizado é reconhecido sob todos os aspectos dos pássaros reprodutores como o uso de técnicas de criação que visam aumentar as boas características e eliminar as menos boas através da criação entre famílias. A proximidade familiar entre casais irá depender dos processos usados. Assim, quando se acasalam pais com filhos, este processo é conhecido como “in-breeding” enquanto o processo onde se cruzarem primos com primos é conhecido como “line-breeding”.

Fazer correcções

Aqui tornamo-nos cientes da importância de manter registros detalhados, não apenas do parentesco, datas de nascimento e hábitos dos nossos periquitos mas também das suas virtudes e defeitos visuais, de modo que possamos seguir para trás até à origem, o motivo de resultados inesperados e assim fazer uma correcção. Por exemplo, se inesperadamente começarem a aparecer jovens com fleck, de pais aparentemente limpos, os nossos registos devem dizer-nos em que ponto no passado existe um elemento na família que originou esta característica que é recessiva e que se tornou agora visível. Munidos desta informação podemos tratar da sua eliminação.

Todos nós já fomos vitimas do desejo da natureza de retornar os nossos pássaros ao seu estado natural e este fenómeno deve ser tido em conta ao escolher os pares. É altamente improvável que se possuirmos um macho perfeito e uma fêmea perfeita, quando acasalados, produzam crias que sejam réplicas dos pais. Devido à força da natureza em querer que os nossos pássaros retornem à forma original, certas características desejáveis do casal têm de ser exageradas para compensar esse fenómeno da natureza.

Depois de planearmos a selecção de acasalamentos antes do inicio da criação, chega a altura de juntarmos os casais. Já decidimos o nosso destino até agora em relação à qualidade neste processo e agora é tempo de ver se esta tarefa será cumprida em termos de qualidade. Para tal é necessário induzirmos nas nossas aves a vontade delas se reproduzirem.

Estimulantes externos

Foi descoberto ao longo dos anos que para além da aptidão física e da maturidade, existem determinados estimulantes externos que resultam na produção de hormonas específicas que criam as tão desejadas condições requeridas para a reprodução. Estes incluem o calor, a luz, o alimento, um companheiro amável e condições para nidificar.

Os periquitos, ao contrário de muitas outras espécies de pássaros, não são particularmente susceptíveis à estimulação da luz ou ao foto periodismo como é cientificamente chamado. No entanto, muitos criadores em todo o mundo induzem a muda dos seus pássaros três meses antes do início da sua época de criação, eliminando a luz artificial. Antes do início da época da criação o tamanho do dia é gradualmente aumentado até às 16 horas diárias e ao mesmo tempo, assegurando uma temperatura mínima semelhante à da primavera.

É talvez vantajoso parar por um momento e considerar o que são os indicadores da condição de reprodução nos Periquitos. Para ambos os sexos a perfeição da plumagem não é requerida, mas no entanto, não devem estar em muda. Para o macho a condição de criação pode-se medir pela intensidade do azul da cera e pela sua actividade. Serão vistos voar com excitação e entusiasmo e aterrar com um salto grande. Serão vivos e dançarão em cima dos poleiros. Os machos em boas condições batem com os bicos nas grades, poleiros ou nos outros periquitos, podendo-se ver a dilatação nos seus olhos. Alimentam também os outros periquitos. Quanto às fêmeas têm a cera castanha e roem tudo o que podem. São também muito vivas e podem também dar comida aos outros os pássaros.

A preparação

Quando se pretendem acasalar os periquitos devem ser preparadas as gaiolas e ninhos. Depois disso, as fêmeas podem ser colocadas nas gaiolas de criação já com os ninhos colocados. No estado selvagem, é a fêmea que escolhe e prepara o local para o ninho. No sentido de imitar este método, devem ficar nas gaiolas sozinhas durante três dias, afim de se habituarem às mesmas e de começarem a explorar os ninhos sem os machos a desviarem-lhe a atenção. Deve ser colocada serradura no interior dos ninhos. A serradura não é nenhum estimulante mas dará à fêmea uma oportunidade de arranjar o ninho à sua maneira e sempre é melhor que a fêmea roa o ninho todo. Algumas fêmeas deitarão fora a serradura e outras a arranjem para colocar os ovos sobre ela. Durante este período elas examinarão a gaiola e o ninho e ganharão confiança com o seu novo lar.

Depois desse tempo, podem ser introduzidos os machos.

A introdução do macho

Quando o macho é introduzido na gaiola, dependendo da predisposição da fêmea, assim que esta der pela presença do macho, estará pronta a acasalar. Mesmo que o acoplamento não ocorra de imediato, não existem motivos para preocupações, já que nem todos os periquitos reagem do mesmo modo. Existem mesmo casais que acasalam uns dias depois. Desde que aparentem estar bem um com o outro, não deve haver problemas. Podem haver alguns casais que nunca os vemos a acoplarem e os seus ovos estarem férteis, já que poderão acasalar no ninho, se tiver uma boa área, ou quando não estamos presentes. Ao contrário, podemos ver casais a acoplarem e os ovos serem inférteis. Raramente os periquitos são estéreis mas os machos têm uma produção de esperma cíclica, pelo que poderão acoplar sem que haja produção de esperma.



Autor: Terry A. Tuxford   

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