11 de jul de 2011

CANARIOS - LINHA ESCURA TRABALHANDO COM OS PORTADORES

LINHA ESCURA
TRABALHANDO COM OS PORTADORES
JOĂO F.BASILE DA SILVA
REVISTA SOVM/2000
Artigo editado em 15 Abril 2001
As diversas cores que compőem a nomenclatura oficial FOB/OBJO săo fruto, em sua grande maioria, de mutaçőes que foram criadas e selecionadas pelo homem nos últimos 500 anos. 
Todas elas se originaram a partir do canário original, que era o que nós chamamos hoje de verde nevado. Esse pássaro era um especialista em sobreviver e multiplicar-se no ambiente selvagem. Sua coloraçăo e seus hábitos eram os mais apropriados para a sobrevivęncia naquele tipo de ambiente. 
A medida que este pássaro foi sendo criado em cativeiro, começaram a aparecer espontaneamente, as mutaçőes que chamaram a atençăo do homem e que passou, entăo, a seleciona-las .Essas mutaçőes, que nada tinham a ver com a capacidade de sobrevivęncia, foram deixando nossos canários de cor cada vez mais distantes daquele canário verde original. 
Com isso foram surgindo as diversas linhas de cor da nomenclatura (que săo mutaçőes). As principais săo: pastel, opalino, feos, acetinados, asas cinzas e, mais recentemente topázio e eumo. 
A finalidade do presente artigo é analisar a importância do uso dos portadores no trabalho de seleçăo e melhoria de algumas dessas linhas. 
Em relaçăo ŕ linha escura, e falando-se genericamente, portadores săo pássaros quepertencem a uma das quatro cores clássicas básicas e em cujo patrimônio genético existem géns que possam produzir em sua respectiva prole alguma das mutaçőes referidas acima. 
Asquatro cores clássicas básicas que săo os negro marrons oxidados (verdes, azuis e cobres), os canelas, os ágatas e os isabelinos, săo os canários dentro da linha escura que estăo mais próximos, geneticamente falando, do canário verde original. Por estarem mais próximos do verde original, possuem também em seu patrimônio genético; características que os tornam mais aptos ŕ sobrevivęncia, o que resulta em maior produtividade. 
Isso pode ser comprovado pela prática, e a maioria dos criadores sabe que as cores clássicas, normalmente,“criam melhor” do que as suas respectivas mutaçőes. 
Diante disso, o uso de portadores na produçăo de linhagens de mutantes (pastel, opalinos, feos, acetinados,e tc) justifica-se pela obtençăo de proles mais numerosas e teoricamente com maior vigor. 
Colocando-se isso ŕ parte, e tratando-se exclusivamente da qualidade melânica, qual a importância dos portadores nesse processo? Qual a relaçăo entre as melaninas que se vę nos portadores e as que se deseja nos puros? 
Para entendermos melhor esse processo, poderemos dividir as mutaçőes ou linha de cor em dois grandes grupos: um grupo em que a presença de feomelanina é desejável e outro grupo (maior) em que essa presença é indesejável. 
No primeiro grupo, temos os feos (todos) e os canelas pastéis. No segundo grupo, temos todas as outras cores(opalinos, acetinados, etc., inclusive os outros pastéis, ágatas, isabelinos e negro marrons oxidados). 
No primeiro grupo, a relaçăo entre as melaninas dos portadores e a dos puros correspondentes é mais direta. Se tivermos portadores com boa carga de feomelanina, teremos puros também com boa carga dela. Nesse caso estamos tratando apenas de herança feomelânica, mas sabemos que os padrőes de excelęncia săo ditados também por outras características, como eumelanina dispersa e distribuiçăo feomelânica. 
Tanto no caso dos feos como dos canelas pastéis, o uso dos portadores pode auxiliar-nos no manejo da distribuiçăo feomelânica. 
Portadores “apastelados” nos dăo melhores canelas pastéis, mas podem produzir feos com desenho deficiente. Ao contrário, portadores mais eumelânicos podem resultar em canelas pastéis marcados, o que é indesejável, mas podem produzir feos com melhor desenho. 
No segundo grupo, a coisa se torna um pouco mais complexa. Nem sempre a eumelanina presente nos portadores terá uma relaçăo direta com a que se deseja dos puros. 
Existem inúmeras ocorręncias na prática que comprovam isso. 
Começando pelos acetinados, que podemos obter a partir tanto dos isabelinos como dos canelas. Alguns criadores acreditam que se pode obter acetinados “mais marcados” a partir dos canelas, coisa que năo se comprova na prática. A eumelanina “acetinada” năo possui uma relaçăo direta com a eumelanina dos canelas, uma vez que podemos obter isabelinos, que possuíem eumelanina marrom fortemente reduzida (chamamos de Diluída) em relaçăo aos canelas. 
Uma linhagem de excelentes acetinados poderá ser obtida tanto de isabelinos como de canerlas, desde que a seleçăo dos exemplares seja feita em cima dos acetinados, colocando-se um pouco de lado a melanina dos portadores. 
Por outro lado,a credita-se que o acasalamento entre dois acetinados trará como conseqüęncia um enfraquecimento do desenho, coisa que também năo corresponde ŕ realidade. O acasalamento entre dois acetinados năo traz qualquer efeito deletério ŕ qualidade melânica dos pássaros, pelo contrario, é mais fácil selecionar os exemplares vendo a melanina que se quer. 
Com relaçăo ŕ produçăo de filhotes, a coisa muda, e aí sim é desejável o uso dos portadores (canelas ou isabelinos) de uma linhagem que reconhecidamente produza bons acetinados. Nesse caso e em outros veremos que também é assim, é importante que se tenha uma linhagem de portadores que produza bons exemplares com as características do padrăo que se quer obter. 
Em relaçăo aos opalinos, a situaçăonăo é diferente, notadamente nos canelas opalinos, em que canelas clássicos bastante oxidados e com pouca feomelanina, nem sempre produzem os melhores canelas opalinos. Mais uma vez é importante obter-se uma linhagem de portadores que tenham a capacidade de transmitir aquelas melaninas que se deseja. 
Pela minha experięncia os melhores canelas opalinos săo obtidos a partir de portadores que possuam boas qualidades das duas melaninas (Eu e Feo). Quanto aos ágatas e isabelinos opalinos, é obrigatório que os portadores tenham o mínimo possível de feomelanina. 
Em ambos os casos, o acasalamento entre dois pássaros puros năo traz qualquer prejuízo em relaçăo ŕs melaninas dos produtos. 
Sabemos que a mutaçăo opalina inibe a manifestaçăo de feomelanina. Entretanto, essa inibiçăo năo ocorre em sua plenitude e sabemos também que pássaros com muita feomelanina dăo origem a opalinos com a manifestaçăo melânica do dorso mais opaca e menos nítida. Isso se deve ŕ feomelanina residual que, afetada pelo fator opalino, dá-nos essa impressăo de menor nitidez do desenho. Nesses casos, o uso de portadores é muito importante, pois é mais fácil observar neles a presença dessa feomelanina indesejável, ou seja, é mais fácil “limpar” ágatas e isabelinos opalinos, usando-se portadores “limpos”. 
Novamente o acasalamento de dois puros năo prejudica a qualidade melânica da prole. Năo existe nada na teoria ou na prática que contrarie isso. 
No caso dos verdes opalinos, o prejuízo do acasalamento entre dois puros, quando ocorre, é apenas em relaçăo ŕ plumagem. 
No caso dos pastéis negro marrons oxidados, ágatas e isabelinos, bons exemplares clássicos (dentro dos padrőes de concurso) normalmente produzem os melhores exemplares mutantes. Novamente o uso de dois puros năo prejudica a herança melânica. 
Os mesmos princípios valem também para os topázios e eumos. 
Conlcuindo, podemos dizer sobre o uso dos portadores na linha escura o seguinte: 
1)     O uso de portadores normalmente resulta em prole mais numerosa e mais vigorosa; 
2)     O uso de portadores pode nos auxiliar na seleçăo melânica de uma linhagem de puros; 
O acasalamento entre dois pássaros puros năo produz qualquer efeito deletério em relaçăo ŕ qualidade das melaninas dos produtores. 

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