27 de jul. de 2011

NOVAS TECNOLOGIAS PARA ALIMENTAR SEU CANÁRIO.

Este artigo foi feito para aguçar a sua curiosidade e também levantar alguns pontos sobre a alimentação de nossos canários.
Atualmente estamos em um mundo rodeado de tecnologias que sempre estão em desenvolvimento, temos televisões de ultima geração com tecnologia 3 D, temos carros de ultima geração, temos alimento para cães de ultima geração e os nossos canários ainda estão comendo feijão e arroz!
Porque será?
Alguns pontos na criação de canários tiveram uma enorme evolução, entre eles os remédios, as gaiolas, os utensílios, as farinhadas, etc...
Mas a alimentação com base em sementes continua a mesma. Será que esta será a nossa realidade em termos de alimentação para o futuro ou não?
Vou relatar alguns fatos:
Antigamente se caçava aves silvestres e hoje não temos mais essa probabilidade, antigamente se uma ave caçada viesse a morrer, se pegava outra e pronto, essa era a realidade.
Quando comecei a me entender por gente e ter pássaros eles eram tratados quando filhotes com pão umedecido em leite e quando adultos o principal alimento era o painço e o alpiste, não tínhamos acesso a outras sementes. O mais importante deste breve relato é que antigamente também era mais difícil de criar pássaros em cativeiro e quem tinha silvestres há anos atrás sabe bem do que estou relatando. Este fato dava-se principalmente por falta de conhecimento em criação de cativeiro e também pelo fato relatado acima, se morresse um passaro se caçava outro e pronto. Hoje em dia a coisa é bem diferente. Um pintassilgo diluído criado em cativeiro chega a mais de R$ 1.000,00, um canário de boa linhagem e genética alcança este cifrão facilmente, um curió, bicudo, trinca ferro tem preços elevadíssimos.
A grande diferença entre antigamente e hoje é que passamos a criar em cativeiro. Também posso afirmar que nunca iremos conseguir recriar em cativeiro as mesmas condições da natureza, nem em espaço e nem em alimentação, ou seja, um pintassilgo, canário, curió, bicudo não encontram as sementes que lhes são dadas em cativeiro na natureza.
Quando se fala em cativeiro na criação de pássaros queremos que eles vivam por mais tempo possível, pois não podemos simplesmente se dar ao luxo de perder uma ave e estar repondo sempre que uma morte ocorre, temos que saber a origem da morte, ou ainda se temos um plantel que não produz bem, temos que analisar o que há de errado com a forma de manejo e talvez uma das causas seja a alimentação.
Hoje também temos um numero cada vez maior de aves em nossas casas e criadouros, um casal, dois casais, cinco casais,  já não são mais suficientes para suprir as nossas necessidades de “Hobby”.
É sabido que um grande número de doenças chegam a nossos canários através da alimentação, seja por má qualidade ou por manejo inadequado.

Manejo com sementes:
Grande parte dos criadores faz uso das famosas e cobiçadas maquinas de limpar e soprar sementes ou usam a tradicional peneira para soprar e limpar.
Será que este manejo favorece ou atrapalha?
Alguns irão dizer; “eu só passo as sementes pela maquina quando compro”.
Correto! É para isso mesmo que maquina deve lhe ajudar. Mas será mesmo essa a realidade?
E aquele resto que fica nos comedouros, você joga fora? Remonta?
Amigos a grande realidade não é essa. Muitos criadores pegam estes restos dos comedouros, juntam e passam tudo nesta maquina dando a falsa impressão de limpeza e depois voltam a colocar estas sementes nos comedouros. Imaginem se um ou mais canários do seu plantel estiverem desenvolvendo alguma doença!
O que vai acontecer?
Fatalmente você estará disseminando a doença no plantel inteiro.
Para quem faz esse tipo de manejo e nunca aconteceu nada. Parabéns! Você é uma pessoa de sorte! Ou utiliza muitos medicamentos. 

O tema é novas tecnologias.
Existem maquinas que esterilizam as sementes por ionização ou por exposição à luz. No interior desta maquina existem lâmpadas UV que tem poder germicida, deixando as sementes livres de fungos e bactérias.
Que ótimo! Vamos eliminar então aqueles problemas citados acima.
Mas será que vale a pena esterilizar sementes de baixa qualidade?
Vamos ver.

Qualidade das sementes:

Há muitas leis e burocracias falando sobre a importação, testes de qualidade e rotulagem de sementes, posso citar algumas:
§ INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 50, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2006.
§ PORTARIA Nº 65 DE 16 DE FEVEREIRO DE 1993.
§ DECRETO Nº 42.916, DE 30 DE DEZEMBRO DE 1957.
Este último mais precisamente no capitulo 2 – artigo 18 – 3º.
A portaria Nº 65 é muito interessante, para quem tem acesso a Internet, vale a pena pesquisar sobre ela.
O importante é que todas sementes têm um prazo de validade, mas infelizmente para nós que somos consumidores finais elas nem sempre chegam em perfeito estado de conservação. Desde a sua colheita até nós o caminho é longo e quase sempre os processos de estocagem e conservação deixam a desejar. Chegando a nós um produto final que muitas vezes contem sujeira, pó, insetos, mofo, etc...
Muitos criadores lendo isso vão pensar; eu compro do fornecedor X ou Y e elas são excelentes, nunca tive problemas! Ou então; eu só compro importada e são excelentes.
Mas já pararam e pensaram em fazer um teste com elas para realmente verificar e atestar essa qualidade que tanto defendem?
A verdade é que para se fazer uma analise em laboratório custa caro e também não há como realizar este teste em cada lote que compramos, pois seria fora de nossa realidade financeira.
Então o que podemos fazer?
Podemos fazer testes simples sem nenhum gasto, mas que trarão grande esclarecimento para nós.
*Primeiro teste – Mofo
Pegue umas 100 gramas da semente e coloque em uma caixa fechada ao abrigo da luz por 24 horas, após esse período, pelo cheiro você poderá constatar se estão mofadas. Algumas já têm o cheiro antes de fazer o teste, então preste atenção no ato da compra.
*Segundo teste – Germinação.
Este teste é o mais importante e ira determinar realmente a qualidade do lote analisado. Para facilitar o seu cálculo, pegue 100 sementes de alpiste,
Coloque de molho em água limpa durante quatro horas. Prepare um prato ou tigela e forre com algodão bem umedecido com água limpa, em seguida coloque as sementes ali depois de retirar a água em que ficaram de molho. Cubra a tigela ou prato com um pano ou uma tampa semi aberta. Em três dias elas devem germinar, agora veja o percentual alcançado no lote testado. Alguns criadores que tive conversas a esse respeito dizem que se tiver em media de 80% de germinação já se pode considerar de boa qualidade, mas o ideal é um índice acima disso. Eu considero 80% de germinação muito pouco.
Vejam, as sementes que não germinam, nada podem oferecer em termos de nutrientes as suas aves e podem até fazer mal a elas.
Se você compra um quilo de alpiste e perde 20% por má qualidade, mais 5% por conta de desperdícios e cascas, ao final você perdeu 250 gramas em um quilo.
Se você gasta em media 10 quilos de alpiste por mês, estará perdendo no mínimo dois quilos.
E se o alpiste chegar a um nível muito bom, 95% de germinação!
Ótimo! O alpiste esta bom.
E as outras sementes da mistura?
E se o passaro gostar mais de uma semente que de outra, como fica o balanceamento?
Vejam que a realidade não permite conciliar uma elevada porcentagem de qualidade em todas as sementes da mistura, nem tão pouco fazer a mistura e querer que a ave coma de forma igual. Pensem nisso...
Façam os testes citados acima, comprovem vocês mesmos, não acreditem somente porque leram este artigo, tirem suas próprias
conclusões, façam o teste constantemente e crie hábito em fazê-lo, pois só assim você terá certeza da qualidade que esta oferecendo as suas aves.
Não adianta você pagar caro em matrizes, gaiolas, utensílios, cuidar com a limpeza, etc... E descuidar no mais importante que é alimentação.
 
(acima o teste feito para germinação. O resultado mostra que a qualidade é péssima.)

Mas então no que a tecnologia pode nos auxiliar?
Vamos ver abaixo.

A RAÇÃO EXTRUSADA.

Muitos iram dizer; “mas os canários são granívoros!”.

Claro que são, mas também não podemos afirmar que a alimentação tradicional com sementes seja a correta ou a mais eficaz, pelo menos não hoje em dia. Depois de tantos anos a alimentação que nos orientam a fornecer para um canário é a mistura de sementes.
Será que não esta na hora de orientar para uma segunda alternativa?

Creio que sim! A Extrusada!
Salgar e secar foram os dois primeiros métodos de tratamento dos alimentos a serem utilizados para preservar a frescura e melhorar o sabor destes. Ao longo dos anos, as técnicas de processamento dos alimentos têm melhorado, o que resultou numa expansão do abastecimento de alimentos pelo prolongamento do tempo de armazenamento destes, evitando o refugo e aumentando a variedade de alimentos disponíveis. Uma destas técnicas é a extrusão.
Mas o que é extrusão?
Extrusão basicamente é um processo de cozimento baseado em alta pressão, umidade controlada e temperaturas elevadas, gerando um incremento de digestibilidade em relação à mistura crua, além de resultar em um produto com aspecto final desejado. Um dos principais benefícios deste procedimento no processamento alimentar está relacionado com a preservação dos alimentos. A extrusão pode se usada para controlar a quantidade de água dos ingredientes, que determina a atividade microbiana nestes e a sua putrefação.

Mas quais são os principais benefícios em oferecer ração extrusada para meus canários?
São eles:
  1. Nutrição ótima.
  2. Alimentação uniforme.
  3. Correto Balanceamento.
  4. Maior digestibilidade.
  5. Sem intoxicação.
  6. Economia.
  7. Facilidade de manejo.
Estas são algumas entre outras e podemos comentar um pouco sobre elas.
Nutrição ótima.
A formulação das rações permite a apresentação dos níveis de garantia ideais e de acordo com as exigências nutricionais dos pássaros. Sendo assim a extrusada ser usada tanto como única fonte de alimentação ou como a fonte principal, podendo ser usada em conformidade  com outra alimentação extra, como frutas, verduras e farinhada.
Alimentação uniforme.
Muitas aves são seletivas em relação à alimentação com sementes. A composição da extrusada é exatamente igual em cada grânulo, proporcionando uma alimentação completa e uniforme.
Correto Balanceamento.
 Por ser balanceados corretamente, o uso da extrusada evita problemas decorrentes de má nutrição, como excesso de gordura e deficiência de vitaminas, minerais e aminoácidos, provenientes das dietas à base de sementes. A maioria dos fabricantes já se adequou à realidade dos criadores que alimentam seus canários em duas épocas distintas; manutenção e reprodução.
Maior digestibilidade.
O processo de fabricação e extrusão promove o aumento da digestibilidade dos nutrientes pelas aves, tornando mais fácil à absorção dos nutrientes. A extrusão faz com que as rações sofram um processo de um pré-cozimento, tornando mais fácil sua digestibilidade.
Sem intoxicação.
Por causa da alta temperatura no processo de extrusão, são eliminados possíveis patógenos que possam contaminar os ingredientes. Isso garante maior qualidade e elimina riscos de intoxicação alimentar. Há ausência de agrotóxicos nas extrusadas, por outro lado eles podem estar presentes nas sementes, verduras e frutas. Vários agrotóxicos podem não apresentar sintomas aparentes de intoxicação, porém podem matar os pássaros.
Economia.
O uso da extrusada proporciona uma economia considerável. Por causa do balanceamento ideal, as aves necessitam de um volume menor de alimento para satisfazer suas necessidades nutricionais. O consumo é em media 30 a 40 % menor que o volume de sementes que seriam fornecidas. Além disso, uma grande porcentagem das sementes é desperdiçada em função das cascas e sementes jogadas fora pelas próprias aves.
Facilidade de manejo.
São muito mais práticas e higiênicas. Não fazem sujeira como as cascas de sementes e restos de frutas e legumes. Por isso, não há a necessidade de se fazer diariamente à limpeza para soprar as cascas, como ocorre com as sementes, bastando apenas repor a ração consumida.

O uso da extrusada na alimentação traz muitos benefícios que não temos com as sementes e isso é fato.
A extrusada também tem alguns pontos negativos que aos poucos devem ser sanados pelos fabricantes.
Entre eles esta a compra diretamente com o fabricante. Neste ponto alguns fabricantes já saíram na frente e vendem diretamente para o criador, mas em algumas marcas isso ainda não é possível. A compra direta com o fabricante reduz o custo final da ração.
Outro fato negativo é a pigmentação. Alguns criadores que usaram a extrusada em anos passados relataram que seus canários amarelos ficaram com a coloração um pouco apagada.
Mas neste ponto os fabricantes também já estão evoluindo para rações próprias para canários amarelos e também os vermelhos. Isso também seria facilmente resolvido com uma suplementação maior de folhas verdes ou então a adição de luteína na farinhada.
Estes pontos negativos creio que logo serão resolvidos por todos fabricantes.

AS GRANDES PERGUNTAS.

Ninguém pode negar que o uso exclusivo da extrusada no manejo diário facilita e muito a vida do criador, não há sujeira, o desperdício é mínimo, agiliza o tempo de manejo e a conversão alimentar é excelente, minimiza as doenças, etc...
Porque então ela não cai nas graças dos criadores?
Porque há tão poucos criadores utilizando a extrusada, já que as vantagens são muitas e excelentes?
Porque quase ninguém aconselha o uso dela?
Será o preço? Ceticismo? Ou é mais simples que isso; o que falta é informação?
Eu não poderia responder a essas perguntas, só posso falar por mim mesmo.
Quando iniciei o artigo eu disse que foi feito para aguçar a sua curiosidade, pois bem, então pergunte a outros criadores que utilizam a extrusada. Pergunte também a quem não utiliza o motivo pelo qual não adotou este manejo.
Depois de ler o que relatei até agora e obter essas respostas dos outros criadores tire suas próprias conclusões.

Meu comentário.
Eu era cético em achar que a alimentação dos canários teria que ser única e exclusiva com sementes, mas estou tendo que me render a essa tecnologia que é a extrusada.
Não quero que ninguém mude a forma de seu manejo pelo que falei ate aqui. Creio que vocês são inteligentes e saberão discernir os fatos até aqui relatados. Eu aprecio a forma de manejo e alimentação tradicional com sementes, mas também não posso mais defendê-lo.
A minha mudança de alimentação se deu a um principal fato; a qualidade das sementes. O fato é que as sementes que chegam em nosso país são de péssima qualidade.
Este fato me fez ir atrás e pesquisar sobre as extrusadas.
Quanto mais eu me aprofundava no assunto, mais a realidade me saltava aos olhos. Um dia fui convidado a ir numa palestra sobre a extrusada que um fabricante estava dando para criadores. Tudo que eu havia aprendido sobre a extrusada ficou ainda mais claro com esta palestra.
Vocês podem pensar: claro! Querem vender o peixe deles!
Bem; só posso dizer que o peixe é bom!
Posso também relatar as mudanças que vi em meu criadouro até agora.
*As gaiolas estão mais limpas, sem contar o resto do criadouro.
*Os utensílios diminuirão, principalmente os comedouros.
*Realmente meu tempo dispensado para criação caiu quase pela metade.
*Sobra mais tempo para observar os canários.
*Não preciso mais gastar tempo limpando sementes.
*Economia de energia elétrica, pois não ligo mais a sopradeira de sementes.
*Economia de produtos para combater as micotoxinas nas sementes.
*O espaço de armazenamento é menor.
*As fezes são consistentes e iguais e com menos quantidade.
*As aves parecem estar mais ativas mesmo em muda de penas.
Não sei ainda o resultado futuro e só o tempo me dirá, mas por enquanto estou satisfeito com a opção que fiz.
O uso da extrusada na alimentação traz muitos benefícios que não temos com as sementes e isso ninguém pode negar.
Será a extrusada o alimento do futuro na criação de canários?
Eu já respondi, agora cabe a você buscar a sua resposta.

Artigo Publicado na Revista SICO 4ª edição

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