05/08/2011

Doenças e Saúde dos Canários

A Lankestereliose Anuário Técnico Oficial - 4C - Junho 2004
Por Luís Pires, Ovar - CN n 736-B
Uma das principais causas de morte das aves jovens, após a separação dos pais, podendo ocorrer entre a 5ª e a 10ª semana
Nas várias conversas sobre ornitofilia, com os mais diversos criadores de aves de gaiola e de viveiro tenho constatado o desconhecimento quase total, por parte destes, de uma doença que ocorre em determinados períodos da vida das aves de pequeno porte, enquanto jovens, doença essa denominada lankestereliose.
Começou esta doença por ser detectada em alguns centros de reprodução, mais ou menos grandes, alastrando-se como será óbvio aos pequenos criadores, face à aquisição de aves naturalmente portadoras.
A Lankestereliose provoca surtos de elevada mortalidade entre os jovens, após a separação dos pais, a partir da 4ª ou 5ª semana de vida. A incubação é efectuada por um período de cerca de 8 dias, findo o qual poderá provocar uma elevada mortalidade, que se poderá situar entre os 50% e os 95%.
Esta doença não vem acompanhada de sintomas clínicos precisos, sendo portanto logo de desconfiar quando a nossa jovem ave está sonolenta, penas eriçadas, não disputa a comida ou poleiros, isolada ou a um canto da gaiola ou viveiro.
A Lankestereliose é provocada por um parasita no sangue da jovem ave, apresentando nas autópsias como sinal mais característico, um grande aumento de volume do baço, sem mais outras lesões particulares.
Assim, recomendam-se duas situações, a fim de evitar uma exagerada mortalidade após a separação dos jovens dos seus pais, as quais eu tenho utilizado nas duas últimas épocas de reprodução, com muito êxito, sendo:
+ Utilizar como meio PREVENTIVO (antes de as aves apresentarem qualquer sintoma), durante 3 dias por semana e no período que decorre entre a 5ª e a 10ª semanas, de uma associação de sulfadimetoxina sádica 8% e Pirimetamina a 1 %, na dose de 7 gotas por bebedouro de 60 ml ou 5 ml por litro de água.
+ Como meio CURATIVO, isto é, se de facto se constata qualquer sintomas, administrar durante 8 dias, nas mesmas doses acima indicadas. Este medicamento, que eu conheça, existe no mercado ornitófilo, importado de França e é também extremamente eficaz na prevenção e tratamento da Coccidiose, Salmonelas e da Pseudo- Tuberculose das aves de gaiola.
Pode e deve ser administrado conjuntamente com um complexo vitamínico, sempre da mesma marca do medicamento, a fim de não existirem incompati-bilidades.
Não adlninistrar aos reprodutores, já que provoca esterilidade.
Bibliografia utilizada: Moureau Ornithologie

Afecções Estomatológicas em Aves Associação de criadores de Canários de Ribeirão Preto - 2006
Francis Magno Flosi
Médico Veterinário Clínico-Cirurgião de aves e animais silvestres de cativeiro urbano
Docente da Faculdade de Medicina Veterinária -UniABC-SP
e-mail: rrancisflosi@uniabc.br
O estudo dos problemas odontoestomatológicos já ocorre desde os tempos antigos, e ARISTÓTELES (384-322 a.C.) já mencionava a ocorrência de problemas dentais em cavalos e PELAGONIUS (350 a.C.) compilou um tratado de medicina veterinária que no capítulo 18 intitulava-se DE DENTIBUS ("Sobre os Dentes"). Assim verificamos que o interesse pela odontoestomatologia em animais é tão antigo quanto o interesse pela própria medicina em animais.
A ciência médica veterinária é indispensável para a manutenção da saúde de qualquer plantei de animais silvestres. Com relação as aves mantidas em cativeiro, seja em Parques Zoológicos, e o entendimento da anatomia, fisiologia, nutrição e comportamento das aves em seu meio: Criadouros amadores ou profissionais, Parque ecológico ou domicílios, tal afirmação tem ainda uma dimensão mais ampla. O maior conhecimento do ambiente, o emprego de imunobiológicos mais eficazes e a maior eficiência dos meios de diagnóstico foram contribuições definitivas da ciência para aumentar em muito a qualidade de vida e a longevidade das aves de cativeiro.
Em relação a cavidade oral, entretanto, os cuidados médicos veterinários foram, durante muito tempo negligenciados, apesar do bico ser o início do tubo digestivo da ave, e estrutura fundamental à sanidade geral do animal. A cavidade oral não apenas é a porta de entrada para os órgãos, mas, com os dentes e estruturas associadas, é uma região anatómica de características únicas, na qual o diagnóstico de enfermidades pode, com grande frequência, ser apenas pelo exame físico.
Distúrbios dos bicos e estruturas associadas devem ser identificados em seus estágios iniciais, antes que o animal esteja enfraquecido pela desnutrição provocada pela anorexia.
Os passeriformes tem particularidades anatómicas e sua boca é de estrutura óssea recoberta por tecido córneo, semelhante as unhas dos cães e também possuem particularidades fisiológicas, pois a forma do bico é determinada pelo tipo de dieta da ave.
A seguir vou comentar alguns problemas orais que encontramos em aves de cativeiro.
1 - Fraturas do bico
- Podem ocorrer por acidentes e/ou traumas na gaiola ou voadeira e a correção: mediante procedimentos ortopédicos especiais e mudanças de hábitos alimentares.
2 - Crescimento excessivo do bico
- Deformidades congénitas.
- Problemas nutricionais, podem ocorrer em hipovitaminose como também nas hipervitaminoses, portanto muita atenção com os suplementos nutricionais.
- Problemas parasitários, podem ocorrer quando houver falhas na higienização das gaiolas, que devem ser periódicas.
- Sarna Knemodokoptes ssp, precisamos ter atenção a pássaros errantes que por ventura possam passar por nossos criatórios, vetoriando este ectoparasita.
3 - Hipovitaminose A
- Alta incidência de abscessos em toda a cavidade oral da ave (palato, língua e glote), causando uma Estomatite que provoca uma anorexia letal.
4 - Beak and Feather Syndrome
- Enfermidade virai exótica que acomete os psitacídeos, causando uma degeneração nos bicos e nas penas e tem 100% de mortalidade, e que por proximidade pode acometer os passeriformes.
5 - Bouba
- Enfermidade causada pelo Poxvirus avium (17 tipos) que atinge as aves causando lesões proliferativas no bico, pálpebras e cavidade oral com interferência no processo alimentar e morte por sufocação em virtude de sua forma diftérica, sendo mais difícil de visualização.
6 - Tricomoníase
- Causa placas caseosas amareladas na cavidade oral, língua, faringe, esôfago, papo e cloaca. A ave fica apática anoréxica, com dificuldade respiratória e diarreia. Doença também vetoriada por pássaros errantes (pardais e pombas).
7 - Singamose
- Parasitose de aves causado pelo Syngamus tracheae que provoca dificuldade respiratória e podemos até visualizar os parasitas na cavidade oral com uma pequena lente de aumento. Respiração sibilante e que em estados avançados podem provocar asfixia no pássaro. Vetoriado por aves silvestres.
8 - Candidiase
- Caracteriza-se por aparecimento de membranas brancas e aveludadas na cavidade oral das aves e provoca diarreia e emagrecimento. As principais fontes de contaminação são água, alimentos e areia. Cuidado com pássaros errantes em seu território.
9 - Psitacose ou Ornitose
- Doença antes só registrada aos psitacídeos, hoje já diagnosticada em passeriformes que podem estar contaminados sem apresentar sintomas. Quando presentes são: sonolência, tristeza, perda do apetite, diarreia e dificuldade respiratória.
10 -Apoplexia
- Ocorre quando houver um rompimento de um vaso sanguíneo por qualquer motivo: stress da captura ou síndrome do disparo cardíaco. Pode ocorrer também quando há oferecimento de alimentos com alto teor de gordura.
O tratamento estomológico em aves é um procedimento veterinário novo, mas que deve ser parte integrante e indissociável de um programa geral de cuidados com a saúde das aves de cativeiro, visando a detecção precoce dos problemas e eliminação das causas de futuras condições patológicas.

Coccidiose Anuário Técnico Oficial - 4C - Junho 2004
Por Stella Maris Benez - São José dos Campos - SP - Brasil
AGENTE ETIOLÓGICO
O agente etiológico da coccidiose são as Coccidias, divididas em dois géneros:
1. género Eimeria: possui oocisto com dois esporocistos com quatro esporozoítos cada um, somando oito esporozoítos. Acometem preferencialmente galinhas e faisões.
2. género Isospora: possui oocisto com quatro esporocistos com dois esporozoítos cada um, somando oito esporozoítos. Acometem preferencialmente aves passeriformes, psitacídeos e outras.
As coccidias são protozoários altamente resistentes no meio ambiente. Apresentam especificidade pelo hospedeiro, ou seja, as coccidias de aves não acometem outros grupos, e vice-versa.
CICLO DÊ VIDA
Em ambos os géneros, o ciclo de vida são semelhantes. A contaminação ocorre por ingestão do oocisto esporulado (maduro). A esporulação ocorre após a eliminação dos oocistos através das fezes de aves contaminadas. No meio ambiente sobre condições de temperatura, umidade e oxigenação o oocisto esporula, formando os esporocistos com os esporozoítos dentro.
Ingerido, o oocisto sofre ação das enzimas digestivas e dos sais biliares no trato digestivo, que rompem a dupla membrana de proteção, liberando os esporozoítos. Cada esporozoítos penetram em uma célula intestinal, e se desenvolvendo em trofozoíto, primeiro estágio celular do ciclo assexuado das coccidias.
Passado o período de maturação, este trofozoíto se rompe liberando os merozoítos de primeira geração, que penetram novamente nas células intestinais. Estes por sua vez geram os esquizontes de primeira geração, que ao se romper liberarão novos merozoítos, que ao voltarem para as células, farão o ciclo sexuado.
Teremos a formação de macrogametócitos (fêmeas) e microgametócitos (machos que liberam os microgametas para fecundação dos macrogametas femininos), cuja junção produzirá oocistos imaturos que romperão a célula intestinal sendo eliminado do hospedeiro pelas fezes. Todos as fases celulares dos ciclo destroem 1 célula intestinal, e 2048 células serão destruídas para cada oocisto que for ingerido. Estas células são responsáveis pela absorção de nutrientes como, vitaminas, sais minerais, carotenóides, carboidratos,.. lipídeos, proteínas, água, e alguns medicamentos. Como as coccidias podem repetir o ciclo assexuado antes de completar o ciclo sexuado, teremos um crescimento deste parasita em progressão geométrica. Estes oocistos começam a ser eliminados pelas fezes das aves, após três dias da contaminação de coccidias. As coccidias não eliminam oocistos todos os dias nas fezes, sendo necessário refazer alguns exames de fezes.
TRANSMISSÃO
A transmissão ocorre através da ingestão de oocistos das fezes; alimentos e água, contaminados. Mas também pode ocorrer por contaminação de ave a ave; através de aves silvestres que adentram o criatório; ou mesmo partículas de fezes contaminadas dispersas no ar (locais de concentração de sujeira de aves ou feiras, campeonatos). Estes oocistos possuem membranas resistentes. São no meio ambiente, a desinfetantes e a medicamentos.
SINTOMAS
Algumas aves não apresentam sintomas, ocorrendo a chamada doença subclínica, de difícil diagnóstico. As aves mais susceptíveis e frágeis desenvolvem os sintomas mais característicos da doença.
1 . mortalidade de filhotes em crescimento e os filhotes de primeira semana nos ninhos.
2. Perda de peso, podendo chegar até a síndrome do peito seco.
3. perda da coloração das penas.
4. doenças concomitantes.
5. baixa fertilidade.
6. baixa produção de ovos, ovos fracos e com casca mole.
7. fezes com alimentos mal digeridos ou com camada de muco na superfície.
8. fezes que ficam pulverizadas no fundo da gaiola.
9. diarreia amarela, acastanhada ou negra com sangue caigerido.
10. diarreia de ninho.
No ciclo de vida as coccidias podem atingir células intestinais de diferentes camadas, produzindo sintomas como:
1. fezes pastosas, ou com muco.
2. diarreia desde amarelada até com estrias de sangue ou pretas (sangue digerido).
3. alimento mal digerido nas fezes com perda de peso.
4. aumento excessivo de apetite, sendo que algumas até dormem ou morrem no comedouro.
5. apatia e prostração, penas arrepiadas.
6. fêmeas no ninho suadas pela umidade das fezes dos filhotes com diarreia; ninhos úmidos.
7. cloaca suja
8. problemas de pele e de muda.
Lesões
As coccidias de ambos os tipos, causam lesões na parede do intestino. Para cada oocisto que é eliminado nas fezes, corresponde uma célula intestinal morta. Temos lesões intestinais catarrais, hemorrágicas, necróticas em várias porções do intestino, e em diferentes profundidades da parede intestinal. No exame histológico podemos verificar enterite, com infiltrado inflamatório mononuclear e polimorfonuclear com predomínio de eosinófilos.
As fêmeas em época de reprodução apresentam uma diminuição nas quantidades de enzimas digestivas e sais biliares, reduzindo a eclosão dos oocitos, a contaminação e a contagem nos exames de fezes. Mas em outra fase do ciclo torna-se susceptível, porém sempre menos que os filhotes.
DIAGNÓSTICO
A evolução da criação e do surto trazem muitos dados para o exame geral.
A coccidiose é dificilmente eliminada do plantel.
Os surtos são comuns quando as aves não foram submetidas à um planejamento preventivo antes de entrar na reprodução, através de exames de fezes para diagnóstico e controle do efeito dos tratamentos, e imunização controlada. São comuns em aves que retomam de exposições longas, ou emprestadas como reprodutores para plantel contaminado, sem ficarem em quarentena. O diagnóstico é realizado com exames de fezes individuais ou coletivos; através de necropsia de aves mortas, fazendo exame de raspado intestinal; exames histológicos para verificarmos os oocistos na parede intestinal. A evolução epidemiológica da doença no plantel é importante para fazermos o prognóstico e controle da evolução da criação. Em aves de produção o diagnóstico é realizado com base no escore de lesão encontrados ao nível dos intestinos observados durante o abate ou necropsia diagnostica. Cada tipo de coccidia possui um a área de predileção no intestino para o desenvolvimento do seu ciclo vital.
CONTROLE
As causas principais de surtos podem estar relacionadas aos seguintes aspectos: falhas no sistema de desinfecção e dificuldade em realizá-la; extrema resistência dos oocistos; eliminação completa dos oocistos (caso ocorra, impede a geração de imunidade, podendo haver uma re-infecção) não existe imunidade cruzada entre as coccidias. Realizar necropsia em todas as aves que morrerem no plantel. Realizar exames de fezes pelo menos à cada 6 meses para controle, principalmente antes da reprodução. O exame de fezes dará o número de oocistos por grama de fezes. Quando tivermos de 1 - 5 oocistosl grama de fezes poderemos ter uma imunidade futura no plantel. Acima deste número, e resultados de coccidias negativo após um surto, é arriscado haver novamente um surto após dois meses. Medicamentos que acabam totalmente com a coccidia não permitem que o plantel gere imunidade. O ambiente fica altamente contaminado proporcionando novo surto rapidamente. Evitar superpopulação. Manter sempre limpo o ambiente, e a desinfecção só resolve com calor e de preferência calor úmido com vaporeto ou esterilização em estufas. Quarentenar aves novas no plantel, ou aquelas que tenham ido para campeonatos ou casa de colegas. Usar medicamentos alopáticos ou homeopáticos de forma estratégica.
Aconselhamos também que as gaiolas tenham grades separando as aves do contacto com as fezes; a areia usada nas gaiolas devem lavadas em água corrente com auxílio de um pano com trama fechada, e deve ser esterilizada no forno alto durante 20 minutos, devendo ser fornecida em pequenos potes apenas para consumo, evitando que ingiram areia com fezes. Passar comedouros e bebedouros de metal no fogo, e ferver comedouros de plástico. Evitar entrada de aves silvestres nos criatófios.
TRATAMENTO
Geralmente é a base de coccicidiostáticos ou coccidicidas, porém estes tratamentos devem ser acompanhados com Baycocc, etc. Todos eficazes, desde que usados de forma estratégica. As coccidias possuem uma grande capacidade de gerar resistência aos produtos comerciais. A exemplo da avicultura que está investindo nos estudos e produção de vacinas específicas para Eimeria de galinhas, podemos tentar uma imunização controlada através de exames e medicações. As vacinas de frango não imunizam pássaros, pois as coccidias são diferentes.
Em 1940 descobriram o efeito das sulfonamidas sobre as coccidias. Existem também os nitrofuranos, as quinolonas, o amprólio, e os ionóforos para tratamento. Cada medicamento age em uma fase do ciclo vital das coccidias.
1. Sulfas: agem nos estágios sexuais e nos esquizontes de segunda geração. Quando usadas indiscriminadamente, em tempo e dose errados, podem provocar síndrome hemorrágica, diminuição de produção de ovos, redução do ganho de peso, casca do ovo rugosa e fina, lesões renais ou hepáticas, e finalmente aazospennia nos machos (ou seja ausência de espermatozóides no esperma, dando ovos brancos por tempo indetenninado).
2. Quinolonas: (nequinato - Statil) age sobre o esporozoítos e trofozoíto. São insolúveis em água, o que dificulta seu consumo e absorção pelas aves, aumentando a resistência das coccidias. Possui baixa toxicidade. Tem tendência maior que os outros a proporcionar resistência medicamentosa. As quinolonas antibacterianas não agem sobre as coccidias e vice-versa.
3. Ionóforos: usados para frangos de corte, portanto não vamos entrar em detalhes. Agem sobre trofozoíto e esporozoítos, inibindo a bomba de sódio e potássio, podendo gerar toxicidade em 24 horas de uso excessivo, ou falta de água', levando as aves a morte.
4. Amprólio: age em esquizontes de primeira geração (30 dia do ciclo) e fase sexuada. Pode competir com as aves pela vitamina Tiamina, causando uma hipovitaminose.
5. Nitrofuranos: possuem atividade anti-bacteriana e coccidiostática. Seu mecanismo de ação exato é desconhecido. A nitrofurazona, é um pó cristalino, amarelo, sem odor ou sabor levemente solúvel em água. Problemas de espermatogênese em frangos, com atrofia do epitélio germinativo testi-cular, pode ocorrer em intoxicações ou excessos. Já as furazolidonas são usadas como coccidiostáticos para frangos. Produz sintomas neurológicos quando usada em associação com amprólio.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA.
CALNEK, B.W.; BARNES, H.J..; BEARO, C.W., REID, W.M. & YOOER Jr, H.W. Diseases of Poultry. 9 ed., Wolfe Publishing Ltd, lowa, USA, 1991.
DAVIS, J.W.; ANDERSON, R.C.; KARSTAD, L & TRAINER, D.O. Infectious and Parasitic Diseases of Wild Birds. The lowa State University Press, Ames, lowa, USA, 1971,
FOWLER, M.E. Zoo & Wild Animal Medicine. 2 ed., W.B. Saunders Company, 1986.
MEYER JONES, L; BOOTH, N.H. & McDONALD, LÊ. Farmacologia e Terapêutica em Veterinária. Editora Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 1983.

Coccidiose em Canários e Pintassilgos União Ornitológica do Vale do Paraíba - 2004
Por Stella Maris Benez
Médica Veterinária Homeopata

Pró Ave: São José dos Campos - Rua Rui Sérgio Rodrigues Moura, 432
B. Urbanova CEP 12244-040- tel/fax 012-3949-1603/cel. 012-9711-0523

ProAve: São Paulo - Rua Heliodoro Ébano Pereira, 92
Lapa CEP 050608-030 tel. 0113611-5051/Amgercal 011-3611-2015

Autora: Ave: Criação Clínica Teoria e Prática
Aves: Saúde na Criação (Lançamento)
COPA-Compêndio de Produtos para Aves (Lançamento)
Agente causador: Coccidias (Eimeria e Isospora)
Característica do agente: protozoário altamente resistente no meio ambiente, tanto a desinfetantes quanto a alguns medicamentos.
As coccidias são divididas em dois géneros:
• Género Eimeria: a forma infectante é um oocisto com quatro esporocistos contendo dois esporozoítos cada um (somando oito esporozoítos, os quais penetra cada um, uma célula intestinal). Cada oocisto pode se transformar em 1800 novas formas. Acometem preferencialmente galinhas e faisões
• Género Isospora: possui oocisto com dois esporocistos contendo quatro esporozoítos cada um, somando oito esporozoítos. Acomete aves silvestres e ornamentais. Isospora: possui oocisto com dois esporocistos contendo quatro esporozoitos cada um, somando oito esporozoítos. Acomete aves silvestres e ornamentais.
• Apresentam especificidade pelo hospedeiro, ou seja, as coccidias de aves não acometem outros grupos, e vice-versa.
Isospora acomete canários e pintassilgos
Características

• Morfologia do Oocisto esporulado: Dois esporocistos com e quatro esporozoítos cada um.
• Hospedeiro Predileto: passeriformes (canários de cor, canários de porte, canários Roller, pintassilgos, bicudos, pássaro-preto, curiós, canários, trinca-ferro), psitacídeos, etc.
• Órgãos Acometidos: intestino delgado e grosso (já foi encontrado em pulmão e fígado encistado).
• Número de géneros: vários, sem induzir imunidade cruzada.
Ciclo de Vida
Em ambos os géneros, o ciclo de vida é semelhante.
• A contaminação: ingestão do oocisto esporulado (maduro).
• A esporulação: quando o oocisto esporula formam-se os esporocistos com os esporozoítos dentro; o processo ocorre após a eliminação dos oocistos através das fezes de aves contaminadas, em meio ambiente natural, sobre condições de temperatura, umidade e oxigenação.
• A transmissão: ingestão dos oocistos.
• A penetração dos órgãos: sob ação das enzimas digestivas e dos sais biliares no trato digestivo, sofrem ruptura da dupla membrana de proteção, liberando os esporozoítos. Cada esporozoíto penetra em uma célula intestinal, e se desenvolvendo em trofozoíto, primeiro estágio celular do ciclo assexuado das coccidias.
• Continuidade do ciclo: Passado o período de maturação, este trofozoíto se rompe liberando os merozoítos de primeira geração, que penetram novamente nas células intestinais. Estes por sua vez geram os esquizontes de primeira geração, que ao se romper liberarão novos merozoítos, que ao voltarem para as células, farão o ciclo sexuado. Teremos a formação de macrogametócitos (fêmeas) e microgametócitos (machos que liberam os microgametas para fecundação dos macrogametas femininos), cuja união produzirá oocistos imaturos que romperão a célula intestinal sendo eliminados do hospedeiro pelas fezes.
• Proporção de destruição dos tecidos: todas as fases celulares do ciclo destroem 1 célula intestinal, e 2048 células serão destruídas para cada oocisto que for ingerido. Estas células que, são responsáveis pela absorção de nutrientes como, vitaminas, sais minerais, carotcnóides, carboidratos, lipídeos, proteínas, água, e alguns medicamentos, são impedidas de funcionarem.
• Proporção de crescimento do parasita: Como na multiplicação das coccidias pode haver repetição do ciclo assexuado antes de completar o ciclo sexuado, teremos um crescimento deste parasita em progressão geométrica.
• Tempo de eliminação do parasita: estes oocistos começam a serem eliminados nas fezes das aves, após três dias da contaminação pelas coccidias. As aves não eliminam oocistos todos os dias nas fezes. Os exames diagnósticos podem ser refeitos em dias variados.
• As fêmeas em época de reprodução apresentam uma diminuição nas quantidades de enzimas digestivas e sais biliares, reduzindo a contaminação e a contagem nos exames de fezes, mas em outra fase do ciclo tornam-se susceptíveis, porém sempre em menores proporções que os filhotes e os machos.
• As coccidias dificilmente são eliminadas do plantel, mas os surtos só ocorrem quando as aves não foram submetidas à um planejamento preventivo, antes de entrar em reprodução, através de exames de fezes para diagnóstico e controle do efeito dos tratamentos, e imunização controlada.
• Cada tipo de coccidia possui um a área de predileção no intestino pura o desenvolvimento do seu ciclo vital.
• Não existe imunidade cruzada entre as coccidias.
Transmissão:
• Ingestão de oocistos que saem nas fezes das aves, e contaminam os alimentos e a água.
• Contaminação de ave a ave.
• Aves silvestres que adentram o criatório.
• Partícula de fezes secas contaminadas dispersa no ar (locais de concentração de aves: viveiros superlotados, feiras e campeonatos).
Sintomas:
Forma subclinica
Aves que não apresentam sintomas, havendo dificuldade no diagnóstico.
Filhotes
Aves mais susceptíveis e frágeis desenvolvem os sintomas mais característicos da doença: mortalidade de filhotes em crescimento e os filhotes de primeira semana de vida, ainda nos ninhos; perda de peso podendo chegar até a síndrome do peito seco; perda da coloração das penas; doenças concomitantes; diarreia de ninho; diarreia amarela.
Adultos
Baixa fertilidade; baixa produção de ovos; ovos fracos, em termos de qualidade nutricional para os embriões; ovos de casca mole; fezes com alimentos mal diferidos ou com camada de muco na superfície; fezes que ficam pulverizadas no fundo da gaiola; diarréia amarela, acastanhada ou negra com sangue digerido. Pintassilgos apresentam o intestino muito dilatado, inchado e com enterite catarral.
Geral
Fezes pastosas, ou com muco; diarreia desde amarelada até com estrias de sangue ou pretas (sangue digerido); alimento mal digerido nas fezes, acompanhado de perda de peso; Aumento excessivo de apetite, sendo que algumas aves até dormem ou morrem no comedouro; apatia e prostração; penas arrepiadas; "fêmeas suadas" no ninho, causado pela umidade das fezes dos filhotes com diarreia; ninhos úmidos; cloaca dos filhotes suja; problemas de pele e de muda atrasada.
Lesões:
Lesões na parede de diferentes porções do intestino, do tipo catarral, hemorrágica e necrótica. Lesões em diferentes profundidades da parede intestinal.
Diagnóstico:
Evolução da criação e do surto; exames das fezes que entram no criatório após retornarem de exposições longas, ou após um empréstimo como reprodutoras; exames de quarentena; examei de fezes individuais ou coletivos; necropsia de aves mortas, fazendo exame de raspado intestinal; exames histológicos para verificarmos os oocistos na parede intestinal; diagnóstico com base no escore de lesão intestinal.
Prevenção e Controle:
A prevenção se baseia nas principais causas de surtos de coccidias: falhas no sistema de desinfecção; dificuldade de desinfecção do ambiente; extrema resistência dos oocistos; evitar a eliminação completa dos oocistos, pois impedirá a geração de imunidade, podendo haver uma reinfecção; Realizar necropsia em todas as aves que morrerem no plantei. Realizar exames de fezes pelo menos à cada 6 meses para controle, principalmente antes da reprodução. Medicamentos que acabam totalmente com a coccidia não permitem que o plantel gere imunidade. O ambiente fica altamente contaminado proporcionando novo surto. Evitar superpopulação. Manter sempre limpo o ambiente, e a desinfecção só resolvem com calor, e de preferência calor úmido (Vaporetto ou esterilização em estufas). Quarentenar aves novas no plantei, ou aquelas que tenham ido para campeonatos ou casa de colegas. Usar medicamentos alopáticos ou homeopáticos de forma estratégica. Aconselhamos uso de gaiolas com grades de separação da bandeja; evitar contacto da ave com as fezes; evitar a areia no fundo das gaiolas. Passar comedouros e bebedouros de metal no fogo, e ferver comedouros de plástico. Evitar entrada de aves silvestres nos criatórios.
Tratamento Alopático:
A base do tratamento são medicamentos coccicidiostáticos ou coccidicidas, porém estes tratamentos devem ser acompanhados com exames de fezes antes e depois da medicação, para analisarmos a eficácia dos mesmos. Podemos acompanhar o plantel com medicação de suporte (soro e fontes nutritivas). Qualquer tratamento ou criação que o adote deve ser vistoriada com exames de fezes pelo menos a cada 6 meses. A base dos medicamentos alopáticos são: clopindol (Coccinon Vitasol que é o coccidex registrado no Brasil), toltrazuril (Baycox), amprólio (Amprolbase - preventivo); quinolonas (Statil fora de linha); sulfas (neo-sulmetina causa esterilidade em machos), nitrofuranos (NF-180 proibido no Brasil), etc. Todos são eficazes, desde que usados de forma estratégica para cada princípio ativo, nas doses correias orientadas no bulário.
CoccinonVitasol Amgercal (011-3611-2015/ 3611-2226 envia para todo o Brasil)
Coccinon-Vitasol é um anticoccídico, indicado para a manutenção da saúde dos pássaros e das aves criadas em cativeiro, controlando e tratando a coccidiose. Age já no dia da exposição do pássaro às coccidias, tornando-o excelente para uso em momentos de risco de contaminação, como campeonatos, exposições, feiras, concursos, empréstimos de reprodutores, chegada ao novo criatório, etc. Mantém os pássaros imunes ao desenvolvimento dos esporocistos de coccidias no epitélio do trato digestivo por até 60 dias (longo período no qual, sem ele o ciclo já teria se completado e se refeito). Caso o Coccinon Vitasol seja suspenso, e o ambiente de criação dos pássaro estiver muito contaminado, este estágio de latência da coccidiose pode se manifestar, à medida que o parasita retoma seu desenvolvimento. Coccinon-Vitasol auxilia no controle e tratamento da coccidiose nas fases mais criticas da criação dos pássaros e de outras aves. Possui uma suplementação de vitaminas, na forma solúvel, com um especial concentrado em vitamina C especialmente indicado para pássaros e outras aves de criação em fase de muda de penas, graças a ação da vitamina A, D3 e Biotina, juntamente com os demais complexos vitamínicos.
Modo de usar
Coccinon-Vitasol é indicado para uso preventivo e curativo.
Prevenção: dose de 20g em 1 kilo de alimento ou 1 litro de água(1g em 50ml/ou 50g) desde o 1° dia de idade.
Tratamento: 40,0 60,0g em 1 kilo de alimento ou 1 litro de água (2 a 3g em 50ml/ ou 50g) oferecer durante 2 a 4 dias a partir do 1° sintoma clínico de fezes diarréicas, suspendendo quando cessar os sintomas clínicos; voltando à dose preventiva.
Tratamento Homeopático: São medicamentos indicados para diarreia, como Arsenicum álbum 6CH; ou Podophylum 6CH; ou Colocynthis 6CH; Escolha uma medicação pela similitude, use na dose de 10 gotas em 2 litros de água, devendo haver melhora do quadro em 48 horas; ou então, troca-se à medicação.

Doenças e Tratamentos Associação de Criadores de Cánarios de Niterói - 2006

SINTOMAS DOENÇAS REMÉDIOS DOSAGENS
Sede, emagrecimento, movimentos trôpegos, diarreia aquosa, sangue e cálcio nas fezes, fezes brancas ao redor da cloaca, secreção pelo bico. Coccidiose Amprolium, Sulfadiazina, Sulfaquinolaxina ou Furoxona 1 a 2g/l (5 dias, parar 1 e repetir por mais 5 dias).
Diarreia branca, gosma no ninho, fezes endurecidas tampando o anus. Artrite nos joelhos. Salmonelose ou Colibacilose Cloranfenicol, Enrofloxacina ou Norfloxacina 1 gota no bebedouro de 50ml, durante 5 dias.
Patas inchadas, dedos ou articulação dos pés inflamados. Fica bicando a pata. Recolhe o pé constantemente. Feridas nas patas. Estafilocose Idem medicação acima e Pomada de Neomicina Mesma posologia acima e uso local da pomada.
Espirra expelindo substâncias amareladas. Narinas obstruídas, bico aberto, piado rouco ou sem som, ofegante. Corisa, Bromquite ou Traqueíte Colírio de Cloranfenicol ou Gentamicina Pingar uma gota ern cada narina
Respiração difícil. Corpo e cauda balançam acompanhando ritmo da respiração. Mancha roxa na barriga, na base dos pulmões. Aspergilose ou Micoplasmose Lincomicina, Enrofloxacina, Tilosina ou Amoxicilina com Clavuianato de Potássio. 2 gotas no bebedouro de 50ml, durante 7 a 14 dias.
Ronqueira, chiados, respiração sibilante. Acesso asmático, tosse ou espirros com expectoração Aero-saculite ou Doença Respiratória Crónica Ivermectina (Pour on) Pingar uma gota na pele da nuca. Suspender banho e verduras por 2 dias. Repetir somente após 28 dias, se necessório.
Não consegue partir sementes duras. Passa a língua (bico) nas grades como se estivesse limpando as mesmas. Limpa constantemente o bico no poleiro. Sementes ficam grudadas no bico ou na plumagem. * Candidíase Nistatina ou Cetoconazol 2 gotas no bebedouro de 50ml durante 7 dias
Pés com franjas esbranquiçadas na parte de baixo, lateral e ponta dos dedos. Sarna (Ácaros) a) Ivermectina (Pour on) b) Pomada de Helmerich a base de enxofre, Benzoato de Benzila ou Glicerina Fenicada a) Pingar uma gota na pele da nuca, observando os cuidados acima, b) Passar nos pés 3 dias.
Pata inchada com ponto negro na parte inferior do dedo trazeiro (coxim plantar). Pododermatite necrótica a) Enrofloxacina b) Rilexine a) 2 gotas no bebedouro de 50ml, por 15 dias; b) Aplicar na lesão. Não tentar extrair o ponto preto.
Sacudidas ao evacuar. Fezes amarelas ou esverdeadas. Ventre inchado e vermelho. Enterite Eliminar sementes gordurosas e ovo. Dar sulfato de ferro e chicória. 10 gramas p/ 250ml de água
Lesão no globo ocular do filhote que ainda não abriu os olhos, entre 3 a 8 dias de vida, com acúmulo de exsudato caseoso (puz). Estafilocose a)Pomada oftálmica de Cloranfenicol; b) Amoxicilina com clavulanato de potássio a) Aplicar nos olhos diariamente b) Adicionar na papinha uma pitada. Não espremer, nem furar
Filhote de ninho com ponto preto na barriga. Proventriculite Amoxicilina com clavulanato de potássio Adicionar uma pitada na papinha e dar no bico.


Micoplasmose União dos Criadores de Canários de Campinas - 2006
Por Kelly R. Crivellari
Responsável Técnica Vansil Laboratório Veterinário
Esta doença é causada por bactérias do género Mycoplasma também conhecida como Doença Crónica Respiratória. Acomete as aves de qualquer idade, sendo mais severa em aves jovens. A transmissão ocorre através aerossóis, ambiente, alimento, utensílios e da ave infectada que permanece portadora por vários meses, sendo portanto uma fonte disseminadora da doença. Os sintomas apresentados são tosse, espirros, secreção nasal, sinusite, aerosaculite, redução do consumo de alimento e conseqüentemente perda de peso. Medidas profiláticas como a eliminação das aves sintomáticas, desinfecção das instalações e utensílios devem ser adotadas. Neste caso o criador deverá administrar às sintomáticas Enro Flec 10% na proporção de 1 ml por litro de água de bebida durante 3 dias consecutivos. Se possível o criador deverá após o término do tratamento com antibiótico fornecer durante 5 dias consecutivos as aves tratadas Vitasil - Suplemento Vitamínico na proporção de 1 ml por litro de água de bebida.
PROVENTRICULITE OU "EMPACHAMENTO":
A proventiculite ou empachamento nada mais é que o acúmulo de alimento no inglúvio (formação de uma massa compactada) decorrente da redução do peristaltismo do órgão que acomete animais jovens e adultos. Se o inglúvio permanecer repleto por muito tempo, pode ocorrer a fermentação do alimento agravando o caso. Mudanças na dieta, ambiente, situações estressantes, fornecimento de alimentos frios, gordurosos, espessos e fibrosos contribuem para o aparecimento. O tratamento consiste na administração de soro fisiológico, óleo mineral tépido no inglúvio e retirada do conteúdo retido com uma sonda rígida ou flexível.



Patologia do Fígado Anuário Técnico Oficial - 4C - Junho 2004
Por Stells Maris Benez - São José dos Campos - SP - Brasil
O fígado é um órgão relacionado com o metabolismo das substâncias essenciais para o organismo da ave, e muito solicitado, apresentando grande desgaste e alto grau de regeneração de seu tecido. Porém sempre existe o limite do órgão. Um órgão muito requisitado, ou agredido frequentemente por substâncias tóxicas, pode levar à uma destruição do tecido, superando a capacidade de regeneração e recuperação do órgão e de suas funções. As intoxicações costumam aumentar muito o tamanho do órgão, causar fezes de coloração verde musgo, e dar má digestão Uma série de patologias estão relacionadas com o fígado, as quais podemos citar:
1. Hepatites virais: podem ser diagnosticadas através da evolução epidemiológica do caso clínico, realização de necropsia de aves afetadas, e através de exames elaborados na virologia e histologia. São exemplos o vírus da hepatite dos perus e a adenovirose das galinhas. Tratamento é de suporte com soro, glicose e alimentos não oleosos e nem muito proteicos.
2. Hepatites bacterianas: seu diagnóstico pode ser realizado através de necropsia de aves doentes e coleta de fragmento de fígado para cultura microbiológica. São exemplos de agentes a Salmonella sp., Escherichia coli, hepatite vibriônica, Clostridium perfringens, Staphylococcus aureus. O tratamento é a base do antibiótico indicado pela sensibilidade do antibiograma; ou medicação homeopática. 3. Hepatite tóxica: comumente causada por má qualidade alimentar (micotoxinas), ou por uso indiscriminado de medicamentos nas rações e na água; uso frequente de inseticidas; consumo de plantas tóxicas, etc. Alguns medicamentos que atuam dando toxicidade hepática são as sulfonamidas provocam estase das vias biliares e granulomas; astetraciclinas causam degeneração gordurosa das células hepáticas; a eritromicina provocam estase biliar; salicilatos (anti-inflamatórios) e inseticidas podem atuar de forma tóxica nos hepatócitos. Remover o agente tóxico do contacto da ave e medicar com soro e glicose; protetores hepáticos ou medicação homeopática.
4. Outros agentes: Mycobacterium tuberculosis e M. avium (tuberculose); glossipol do algodão não tratado; selênio em excesso; protozoários (Histomonas). O Histomonas é tratado com Dimetridazole - Flagil, vermifugar e deixar filhotes afastados do chão até 2 meses de idade, no caso de faisões, perus, pavões.
5. Outras causas: acidentes de manejo com trauma, ruptura e hemorragia hepática; tumores e má formação congénita. Tratamento de emergência.
Uma ave com quadro de hepatite ou outros problemas hepáticos, apresentam má digestão, com presença de alimento pouco digerido nas fezes, perda de peso, aparência feia, com empenamento sem brilho ou mesmo perda da cor.
A ave pode apresentar abdome distendido, com uma mancha roxa ou negra próxima a musculatura, muito maior que o limite normal do órgão. A ave pode vir a morte rapidamente, ou apresentar depauperação lenta na dependência do tempo de evolução e gravidade do quadro.
Uma micotoxicose tem um efeito cumulativo no figado e em outros órgãos da ave adulta, provocando sintomas a longo prazo, mas em filhotes seu efeito é causar rápida falência orgânica e morte.
Podemos tomar uma série de medidas preventivas e curativas:
1. Seguir um bom manejo de nutrição e criação, orientado por Veterinário, Biólogo ou Criador experiente.
2. A alimentação deve ser balanceada, sem corrermos o risco de excessos de nutrientes, desbalanceamento de energia e proteína, que podem gerar fígado gordo ou esteatose, alterando todo o metabolismo. Esta esteatose é normalmente encontrada em fêmeas em postura e pequenos filhotes.
3. Quarentenar aves por 21 dias com exames e medicações preventivas.
4. Armazenar os alimentos em locais limpo e seco, livres de aves silvestres, insetos e ratos.
5. Comprar matéria prima, semente e rações em locais idóneos, e ao primeiro sinal de doença, trocar toda a alimentação por nova remessa. Não lavar as sementes, pois nenhum processo reduz a quantidade de água interna a semente, sem desnaturar suas propriedades nutritivas.
6. Manter as aves livres de vermes, protozoários (coccidiose) e piolhos, que podem ser detectados por exames periódicos e medicação específica.
7. Evitar o uso indiscriminado de medicações e produtos preventivos nas rações e na água, para que medicações sem finalidade específica não venham prejudicar as aves sadias.
8.0 tratamento alopáticos para os problemas hepáticos são orientados segundo as causas. Podemos ter que usar antibióticos, vermífugos, anti-fúngicos, anti-tó-xicos e protetores hepáticos, que existem em grande no mercado. O tratamento homeopático pode se estender desde o uso do medicamento Simillimun da ave, ou o génio epidêmico do surto, como partirmos para o uso genérico de Podophyllum, Phosphorus, Chelidonium majus, Lycopodium, Aconitum napellus. O uso de glicose na alimentação ou soro glicosado via oral é auxiliar da nutrição, alimentos pouco proteicos e pouco gordurosos, favorecer carboidratos e frutas.
A chamada PINTA PRETA DOS FILHOTES pode ocorrer em filhotes de aves contaminadas por Escherichia coli, Salmonella sp, ou intoxicadas com micotoxinas. As aves apresentam do lado direito do abdome, mais voltada para linha média, abaixo das costelas, uma pinta preta, que nada mais é do que um aumento de volume da vesícula biliar, secundária aos problemas hepáticos, ou obstrução da saída da bile para o intestino. Este é um sintoma observado apenas nas aves que possuem vesícula biliar. Tal observação é fácil de ser realizada pelo criador em seu dia a dia, e é importante para o diagnóstico de doenças. Pode ser vista nos filhotes de semanas de vida, é será observada nos adultos acometidos por estes males e submetidos à necropsia.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CALNEK, B.W. Diseases of Poultry, 9 ed., Wolfe Publishing Ltd, London, 1991.
GETTY, R. Anatomia dos animais domésticos. 5 ed. Ed. Interamericana, Rio de Janeiro, 1981. volume 2.
HARRISON, G.J. & HARRISON, LR. Clinicai Avian Medicine and Surgery. W.B. Saunders Company, Philadelphia, 1986.
LATHOUD, Matéria Médica Homeopática. Ed.Albatrós, Buenos Aires, 1989.
RITCHIE, B.W.; HARRISON, G.J. & HARRISON, LR. Avian Medicine: principies and application. Wingers Publishing, INC, Lake Worth, Florida, 1994.
SCHARRA, D.M.F. Doenças dos Pássaros e outras aves. Editora Cátedra, Rio de Janeiro, 1987.
THE paUL TRY DOCTOR. 2 ed., B.Jain Publishers PVT, New Delhi, 1992.

Prevenção Anual União Ornitológica do Vale do Paraíba - 2006
Por Stella Maris Benez
Médica Veterinária Homeopata MSc. CRMV SP 4953
No artigo deste ano voltaremos a falar com detalhes sobre a como prevenir de forma geral e específica das doenças que causam problemas em nossas criações. São formas práticas de prevenção. Porém, se sua criação teve problemas sérios, é aconselhável que seja feita uma análise específica, para que os problemas não se repitam neste ano de criação. Alguns problemas de saúde sendo solucionados, devem ser prevenidos durante 1 ou 2 anos, pois podem voltar. As medidas de prevenção específicas estão relacionadas às doenças que ocorreram com maior frequência no ano de 2006.
Prevenção Geral para criações de canários
Exames Parasitológico Preventivo:
1. Todo ano, antes da temporada de criação, realizamos exames parasitológicos de fezes para termos a ideia precisa de como está nosso criatório. Tais exames são realizados mesmo que nossa criação tenha sido perfeita no ano anterior. O Criador também pode realizar exames em laboratório de sua confiança.
2. Coleta: comprar coletor de fezes com conservante vendido em qualquer farmácia. Coletar as amostras de fezes de machos separadas das fezes das fêmeas e dos filhotes. Para cada coletor recolha fezes de no máximo 12 aves de um grupo de 40 aves (20-25%). Envie por sedex ou sedex 10. As aves não podem ter recebido medicação por no mínimo 5 dias antes da coleta do material. Estes exames poderão ser realizados antes da colocação dos ninhos e repetidos entre a 2a e 3a postura. Neste tipo de exame são verificadas as presenças dos seguintes parasitas: coccidiose, vermes, giárdia e controle de piolhos e ácaros de penas que quando comidos pelas aves tem sua carcaça vista no exame.
Nós aplicamos mecanismos de prevenção todos os anos e durante toda a criação, como por exemplo, uma boa higiene, boa ventilação, e uma alimentação balanceada. A prevenção e cura de nossos canários frisados parisienses é estabelecida com medicações alopáticas específicas, Suplementação Vitamínico e de Minerais, e Homeopatia. A Homeopatia é usada durante todo o ano. As aves que recebem homeopatia têm maior resistência física aos transtornos de mudanças de tempo e outros infortúnios.
Homeopatia:
Mandar fazer os seguintes medicamentos e usar de rotina. (Usar esta água como única fonte de bebida podendo ser usada com vitaminas).
++Thuya occidentalis 12CH, Salmonella 12CH e Colibacillinum 12CH elaborados em l frasco de líquido usando na dose de 10 gotas em 2 litros de água durante 30 dias seguidos, mantendo a medicação 1 vez por semana na criação e na papinha defilhotes (1 gotaemSOml). Podem ser usados junto com outras medicações na mesma data.
++SBerberis 6CH; Chelidonium 6CH, Quercus 6CH l frasco líquido e fazer a diluição diária de 10 gotas em 2 litros de água de bebida 1 ou 2 vezes por semana para desintoxicação e estruturação de fígado, baço e rins. Vermifugacão anterior à colocação de ninhos Licor de Cacau Xavier (a base de Piperazina) vermífugo preventivo que deve ser oferecido 2 a 4 vezes ao ano (dose: 1 gota em 50ml 3dias seguidos, repetindo a medicação 15 dias após).
Suplementação de Vitaminas: Rovital - C - manter 1 ou 2 vezes por semana durante todas a criação, pode ser usado em campeonatos como anti-stress e nos tempos frios.
Hidratação de Aves de Torneio
Hidrafort que é um soro de torneio oferecer 1 dia antes, no dia do torneio e 1 a 2 dias após o torneio; podendo prolongar até 10 dias. Água de coco pode ser usada na proporção de 50% com água filtrada 3 dias seguidos.
Micoplasmose e Coccidiosc: Nalyt Fases Damos 7 dias seguidos e repetimos após um repouso de 5 dias, mais 7 dias de medicação. Caso alguma ave receba frio, dê durante 48 horas para stress térmico; durante os campeonatos usamos direto para evitar stress de torneio. Poderá usar o Tylan puro, que age somente sobre Mycoplasma, mas este não tem vitaminas e é muito amargo, e o Coccinon-Vitasol, que age apenas sobre coccidias.
Piolhos e Ácaros de Penas
Front-Line Spray (produto atóxico para aves desde que seja usado com moderação) deve ser usado na dose de 2 gotas no dorso de cada ave para prevenir ou tratar piolho, repetindo após 7 dias. Para filhotes usar um agulha de insulina para aplicar 2 gotas pequenas. Sempre que houver risco de infestação pulverizar abaixo do ninho. O Allax pode ser usado também no dorso das aves na dose recomendada pelo Fabricante.
Prevenção Específica para Doenças mais Comuns em 2005 - 2006
1. Doença: Bouba ou Varíola Aviária
• Sintomas: Estão surgindo cada vez mais casos, com lesões mais graves, inclusive em canaril vacinado. As lesões nas patas continuam sendo as mais graves destes últimos anos. Ocorre a formação de nódulos, calos, inflamação e com infecção secundária bacterinana. As lesões são agravadas por infecções por Mycoplasma, e excesso de proteína nas farinhadas.
• Indicações preventivas: NÃO USAR VACINAS CONTRABANDEADAS de outros países e não registradas em nosso país. Vocês estão correndo risco de não estarem prevenindo suas aves, e de provocar a doença vacinai em cada ave que nascer e cada ave que for colocada nova no plantei. Não vacinamos nossas aves. O dia que houver vacina de cepa que acomete aves no Brasil, então com certeza ela será recomendada por nós, desde que o produto seja testado e registrado no Brasil. Nossos canários não são cobaias, pois valorizamos demais o que fazemos. E existem formas boas de prevenção, sem ser esta forma indevida. Indicamos para prevenção a Homeopatia Thuya occidentalis 12CH e Belladona 12CH líquido na dose de 10 gotas em 2 litros de água para todas as aves 30 dias seguidos, e manter l vez por semana na criação. Para tratar devemos retira a dor com Andolba ou Biofenac spray. Caso queira prevenir as lesões bacterianas use antibióticos associados à homeopatia, terá melhores resultados que somente usar antibióticos.
2. Doença: Flebite das veias das Patas.
• Sintomas: Infecção bacteriana causada por Staphylococcus e Streptococcus, que podem ser secundárias à infecção pelo vírus da Bouba vacinai ou de cepa da região. Ocorre inflamação e inchaço das veias, flebite nas veias das patas e dermatites úmidas das patas, que é a infecção amarelada da superfície da pata dos canários. Inchaço secundário e perda de dedos por má circulação.
• Indicações curativa: Ampicilina associar durante 10 dias na recomendada pêlos fabricantes ou a genérica. Junto com Nalyt 100 Plus dose de 20g em 1 litro de água ou 1 kilo de farinhada durante 14 dias. Passar Andolba ou Biofenac nas patas para retirar a dor. Não usar pomadas, nem mesmo cremes.
3. Doença: Infecção de Filhotes na primeira semana de Vida
• Sintomas: A Morte de filhotes é causada por Mycoplasma, coccidiose, micotoxinas de sementes, Salmonellose provoca alta mortalidade e Colibacilose perdas crónicas. Caso o criador não faça a prevenção nos adultos ele continuará tendo mortalidade de embriões e de filhotes por toda a criação. Os pais passam a medicação para o filho ainda na gema da fêmea. A nutrição fraca da fêmea gera gema fraca com embrião e filhotes fracos.
• Indicações preventivas: são indicados NalytHReprodução para os adultos dose de 20g em 1 litro de água ou 1 kilo de farinhada durante 7 dias, repetição após 5 dias; ou 14 dias seguidos caso tenha havido sintomas no ano anterior. Repetir e prevenção entre a 2a e 3a posturas. Para os filhotes NalytHBaby dose de 1 g em 50ml de água ou 50g de papinha durante os 7 dias primeiros dias de vida e os 7 dias após o desmame, repetição após 5 dias;
4. Doença: Cistos de Penas
• Sintomas: Determinada geneticamente em canários, causada por redução das taxas de biotina na circulação e nos tecidos, como por exemplo fígado c pele. Vitamina H ou Biotina é responsável pelo metabolismo do fígado e da pele, e seu uso é diário pelo organismo da ave. Ocorre a formação de cistos de penas ou bolas de penas.
• Indicações curativa: é indicada Vitamina H (exemplo Vitamina H Biotina na proporção de 2% na farinhadas durante toda a criação de aves com tendência da produzir a bola. Homeopatia para aves com bola, use na água 20 gotas em 1 litro de água de Graphites 6CH Q Arnica Moníana 6CH, o cisto abrirá rapidamente para que o criadorpossa limpá-lo e secá-lo com iodo povidine).
Cada canaril pode receber recomendações diferentes que estão relacionadas à temperatura, umidade, sintonias, doenças frequentes etc. Caso o criador necessite de um trabalho mais específico estamos às ordens.



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