5 de ago de 2011

INFLUÊNCIA DA ALIMENTAÇÃO SOBRE O LIPOCROMO

INFLUÊNCIA DA ALIMENTAÇÃO SOBRE O LIPOCROMO
João F.Basile da Silva
É do conhecimento dos canaricultores que o principal responsável pela expressão
quantitativa do lipocromo é o fator genético.
Sem uma herança genética de qualidade o lipocromo dos canários com seu fator
vermelho será sempre prejudicado.
Em vista dos criadores europeus, e tendo participado do julgamento de uma exposição
na Itália, onde auxiliamos um juiz COM na pontuaçáo de canários lipocromicos amarelos
(intensivos, nevados e mosaico), um fato nos chamou bastante a atenção: o lipocromo,
principalmente dos canários sem fator vermelho era de excelente qualidade, tanto em
pureza como intensidade.
Inicialmente atribuimos tal qualidade exclusivamente a fatores genéticos, porém a partir
de depoimentos de outros criadores que haviam importado este tipo de canário, fomos
informados que após a mudança de penas, no Brasil, sob regime alimentar habitual e
normal, percebeu-se uma mudança ainda que sutil, na qualidade dos referidos
lipocromos.
Procurando interpretar o que poderia ter ocorrido, pensou-se inicialmente que os
criadores europeus poderiam estar ministrando algum produto que pudesse realçar as
qualidades do lipocromo.
Pesquisando na literatura pertinente alguma informação teórica que pudesse confirmar
tal fato, acabamos chegando a uma conclusão bem diversa do que pensou inicialmente.
O criador europeu não fornece nenhum produto especifico que melhore a qualidade do
lipocromo dos canários sem fator vermelho. Por outro lado, o regime alimentar habitual
adotado pelos criadores brasileiros fornece em excesso substâncias que colaboram para
que haja uma queda de qualidade do lipocromo dos nossos canários (isso ocorre, como
veremos, tanto nos canários com como nos sem fator vermelho).
As substâncias em questão pertencem ao grupo dos carotenóides. O criador europeu
fornece aos seus canários uma dieta que contém uma quan tidade de carotenóides
substancialmente menor que a autilizada pelos criadores brasileiros, principalmente no
tocante à zeaxantina.
Convém lembrar novamente que o fator genético é o grande responsável pela qualidade
de lipocromo, e náo há regime alimentar que possa compensar uma deficiência genética
neste sentido.
Como alimentos ricos em carotenóides que fornecemos aos nossos pássaros podemos
citar: gema de ovo, milho amarelo e verduras. Tais elementos, que são de extrema
importância na nutrição dos canários, trazem em sua composição uma quantidade
significativa de carotenóides, e em especial a zeaxantina, pigmento existente no milho
amarelo e que é depositado pelas galinhas na gema dos ovos. Tal pigmento, uma vez
depositado nas penas dos canários, é responsável pelas tonalidades amarelos /
laranjadas que se misturam as tonalidades mais puras do lipocromo. Sabemos que as
tonalidades que tendem para o laranja sáo indesejáveis no lipocromo com ou sem o
fator vermelho.
Nos canários vermelhos, sabe-se que por ocasiáo da disposição dos pigmentos corantes,
existe uma disputa por espaço, ao nivel das células, entre a cantaxantina e os
carotenóides, principalmente a zeaxantina. Essa disputa por espaço se aplica também e
da mesma maneira no caso dos canários sem fator vermelho. O que acontece, então, é
que se fornecemos uma dieta rica em zeaxantina, a sua participação na pigmentação
das penas dos canários será proporcionalmente maior, e o resultado final que se
observa é o amarelo se afastando do amarelo-limáo, e o vermelho que se manifesta
com influência de tons alaranjados.
Como dissemos anteriormente, os alimentos ricos em carotenóides são de grande
importância na nutrição dos canários, pois são fontes importantes de proteinas e
vitaminas. Na busca de uma melhor qualidade de lipocromo, devemos, por ocasião da
muda de penas, procurar substituir tais alimentos por outros que possuam menor
quantidade de carotenóides mas que garantam o mesmo aporte de proteinas e
vitaminas.
As verduras (a coloração verde tem relação direta com a quantidade de carotenóides)
podem ser substituidas por frutas ou outros vegetais com menor quantidade de
carotenóides. O milho amarelo pode ser substituido pelo milho branco, cuja composição
quimica é praticamente a mesma, a não ser pelo teor de proteinas do milho branco é
exatamente o mesmo milho amarelo. A gema do ovo que no caso representa uma fonte
de proteina e de boa qualidade, pode ser substituida, ao menos em parte, por outras
fontes de proteinas eficientes como a caseina ou leveduras. Como esses produtos não
são de fácil acesso ao canaricultor, devemos procurar adquirir ovos cujas gemas sejam
menos amarelas, o que ocorre mais com ovos de casca branca. O ovo chamado de
"caipira", com gema "vermelha" é totalmente contra indicado.
Voltamos a lembrar que o principal fator de qualidade do lipocromo é o fator genético, e
que os alimentos ricos em carotenóides são muito impor- tantes na nutrição dos
canários.
Por isso, não devem simplesmente ser suprimidos mas sim substituidos, por ocasião da
muda de penas, por outros alimentos que continuem a fornecer os mesmos níveis de
proteinas, vitaminas e outros elementos nutritivos.

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