5 de ago de 2011

Critérios para julgamento e seleção de ágatas e isabelinos

Ainda que o Manual de Julgamento FOB/OBJO seja extremamente claro e didático, com freqüência surgem criadores com dúvidas a respeito da interpretação dos critérios utilizados no julgamento, seleção e acasalamentos dos canários diluídos, e, então, o presente trabalho se propõe simplesmente a auxiliar nessa tarefa, através de aspectos práticos, baseados nas definições técnicas.

Esse texto trata dos canários diluídos clássicos (ágatas e isabelinos) e não das suas diversas mutações (pastel, opalino, topázio, eumo e ônix), já que se entende que essas considerações podem servir de base para os demais tipos.

A seleção dos canários de cor é um jogo de equilíbrio, e nos tipos abaixo descritos essa característica é bem presente. E esse é o desafio.

Os canários ágatas:

Para início, é preciso deixar bem claro o conceito de diluição, diferente para os ágatas e os isabelinos. Nos dois tipos há a diluição que resulta na redução da envoltura, sendo o ideal que ela desapareça, ou seja minimamente visível. Não pode ser confundida essa diluição com a atuação sobre a melanina das estrias, presente nos isabelinos e imperceptível nos ágatas.

Nos ágatas o que há, na verdade, é uma redução da área de atuação da melanina, que deve ser a mais negra possível, mas somente no centro da pena. Isso irá resultar em bordas claras (peroladas). Assim, o desenho das estrias, finas e entrecortadas, será contrastante com a tonalidade de fundo, que deve aparecer, com já foi dito, com a mínima interferência da envoltura.

Nos canários mais oxidados, com maior presença de envoltura, o contraste é seriamente prejudicado, e não o desenho, assemelhando-se ao tipo negro-marrom oxidado (verdes, azuis ou cobres). Nesses pássaros, a expressão do lipocromo é afetada pela presença da envoltura, sendo prejudicial, fazendo que os ágatas amarelos tenham uma tonalidade esverdeada e os vermelhos, acobreada Por outro lado, também a diluição excessiva fará com que o pássaro perca a qualidade do desenho, e, logicamente, o contraste. A utilização de pássaros pouco ou excessivamente diluídos pode ser benéfica quando se deseja transferir algumas de suas características, ou no caso das mutações, visando o tipo intermediário.

Deve ser ressaltado que nos pássaros com pouca expressão de lipocromo, pode haver uma falsa impressão de diluição, pelo baixo contraste com os pigmentos dispersos (envoltura) o que faz com que se tenha que analisá-los em relação ao tipo, somente.

O Manual de Julgamento ressalta que o desenho dos ágatas não pode ser afetado por fatores secundários de diluição. No desenho de cabeça e nas penas longas (asas e cauda) é onde mais facilmente se pode observar as características típicas. Nos pássaros bem marcados, com diluição de envoltura, a máscara superciliar é bem visível, representada por uma zona despigmentada atrás dos olhos. É importante lembrar que os “bigodes”, estrias que partem do bico para baixo, são características importantes do tipo ágata, e devem sempre ser bem marcados, especialmente nos intensos e nevados.

As asas terão as estrias negras, mas com largas bordas claras, peroladas, aparecendo o lipocromo, se for o caso dos intensos e nevados. A sobreposição das penas longas, nas asas, pode dar uma falsa impressão de excesso de diluição, pela presença do lipocromo, então, devemos observar a qualidade da melanina no centro das penas mais longas e na cauda.

As patas, unhas e bico devem ser claros.

Em resumo, as estrias do ágata serão as mais negras possível, desde que finas e entrecortadas e o desenho será contrastante com a cor de fundo, que aparecerá brilhante, sem presença de melanina. Assim, um ágata amarelo terá o lipocromo amarelo brilhante, e não esverdeado e o vermelho não será acobreado. Os ágatas mosaicos e os prateados ideais deverão ter um aspecto geral prateado, devido ao contraste das estrias negras sobre o fundo branco.

Os canários isabelinos:

Nos isabelinos, não há mudança em relação ao desenho desejado para os ágatas, mas somente em relação ao fato de que a diluição deverá afetar, além da envoltura, a tonalidade das melaninas das estrias, que devem ter uma coloração intermediária. Não podem ser tão diluídas que não ofereçam contraste e o desenho desapareça e nem tão escuras que tendam ao tipo canela.

Deve ser preservado sempre o desenho, maximamente visível e com a menor presença de envoltura possível.

Um dos defeitos mais presentes é a localização de zonas mais oxidadas, normalmente nas asas, cauda e cabeça, o que fará com que a tonalidade do desenho não seja homogênea, que é uma das características de um bom isabelino.

Também nesses pássaros, a utilização de reprodutores muito oxidados ou excessivamente diluídos deve ser considerada, pela possibilidade de se chegar aos pássaros equilibrados, para concurso.

Pássaros muito diluídos cruzados com pássaros de bom desenho, mas com melanina pouco diluída (oxidados) podem dar bons frutos, sendo o ideal, porém, que sejam acasalados pássaros próximos do padrão desejado.

Conclusão:

Estando definidos os pássaros ideais para concurso, é importante ressaltar que não serão somente esses os indicados para acasalamento. Muitas vezes, pássaros com um pequeno desvio de padrão são interessantes, pois apresentam características que complementam o pássaro com o qual irão acasalar. Assim, um exemplar um pouco mais diluído poderá complementar um pássaro oxidado, com ótimo desenho, ou vice-versa. O canário de concurso é o canário intermediário, completo, e o reprodutor, nem sempre.

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