5 de ago de 2011

CONSIDERAÇÕES SOBRE OS CANÁRIOS MOSAICOS

CONSIDERAÇÕES SOBRE OS CANÁRIOS MOSAICOS
Seu Julgamento e Acasalamento
Alvaro Blasina
Chamamos tecnicamente de “categoria” à classificação dos canários de acordo com a
distribuição dos seus lipocromos (cor de fundo) nas penas. As diversas formas de
distribuição dos lipocromos produzem por sua vez, efeitos visuais diversos e são
divididos em 3 grandes grupos: intensos (lipocrômo presente até a extremidade das
penas); nevados (uma fina borda branca na borda das penas) e mosaicos ( uma ampla
faixa branca na borda da maioria das penas).
Os canários mosaicos na sua evolução, tem manifestado o que chamamos de “zonas de
eleição” ou seja, regiões da plumagem onde a faixa branca na borda das penas que a
compõem é de tal importância que praticamente não permite a visualização da cor de
fundo ou lipocrômo e outras em que a referida faixa branca inexiste, a tal ponto de
visualizarmos nitidamente uma cor intensa. Este nítido contraste entre o branco e o
lipocrômo, somado a um desenho nítido e definido, tem dado aos canários mosaicos
uma beleza admirada por todos os criadores.
Nos canários chamados de linha clara ( não possuem melaninas) o fator mosaico é mais
valorizado no ato do julgamento, atribuindo-se um máximo de 20 pontos teóricos num
total de 100 enquanto que nos da linha escura (possuem melaninas) são atribuídos um
máximo de 10 pontos.
Deduzimos portanto que o mosaiquismo requer maior atenção nos criadores e juizes de
canários de linha clara do que naqueles de linha escura.
Três critérios fundamentais são os utilizados para avaliar a qualidade dos canários
mosaicos:
1) Cor: Nas regiões de atuação (veremos as mesmas mais adiante) a cor deve ser o
máxima expressão, o mais intensa possível;
2) Desenho: O mais nítido possível, ou seja, a possibilidade de verificarmos uma linha
bem definida que separe as regiões brancas das regiões com presença de lipocrômo;
3) Contraste: o branco deve ser o mais puro possível e contrastar com o lipocrômo.
Os canários mosaicos, apresentam um nítido dimorfismo sexual (machos e fêmeas se
diferenciam), razão pela qual são julgados separadamente.
Os machos, basicamente devem apresentar uma máscara facial ampla, ao redor do
bico, passando por trás dos olhos, e apresentando uma testa e babador largos intensos
e nítidos.
As fêmeas por sua vez, devem apresentar apenas um traço na altura dos olhos,
delimitado, e sem extensões de lipocrômo para outras regiões da cabeça.
Outras diferenças mais sutis também são notórias, tais como a presença de lipocrômo
no peito nos machos e indesejada nas fêmeas, etc.
Tanto nos machos quanto nas fêmeas, é muito importante a presença de lipocrômo
intenso nos ombros e no uropígio.
ACASALAMENTO
Para obtermos sucesso nos concursos, nós criadores devemos praticar um hábito
simples que é o estudo dos critérios que serão utilizados quando do julgamento dos
nossos canários e em função desses critérios, procurarmos o melhor caminho para à
través dos cruzamentos efetuados chegarmos à um final feliz.
O caso dos mosaicos, é um exemplo típico de como devemos procurar um alto nível de
especialização ao ponto de utilizarmos diversas linhagens de canários mosaicos para
obtermos sucesso nos concursos.
A primeira análise que devemos fazer é a seguinte: se nos machos se valoriza uma
máscara bem ampla e intensa e nas fêmeas apenas um traço lipocrômicos na altura dos
olhos sem extensões do mesmo para outras partes da cabeça, parece obvio deduzir que
existe o que poderíamos chamar de “conflito de interesses” ao acasalar um excelente
macho com uma excelente fêmea.
Podemos claramente deduzir que machos muito brancos, com ombros bem intenso mas
com a máscara bem intensa porém reduzida, terão mais chances de produzirem fêmeas
com excelente desenho de olho.
Por outro lado, fêmeas muito brancas, com excelente intensidade de ombros, mas com
presença de lipocrômo envolta do bico com a maior máscara facial possível, poderão
produzir excelentes exemplares machos para concurso.
As conclusões teóricas acima mencionadas procedem e a prática tem mostrado que
efetivamente existe um único caminho para se obter sucesso nos concursos de canários
mosaicos. Este caminho é o de possuirmos duas linhagens completamente diferentes de
canários mosaicos, ou seja, uma que chamamos de “linha machos” com excelentes
machos de concurso e o que chamamos popularmente de “fêmeas mascaradas”
impróprias para concurso, e outra que chamamos de “linha fêmeas” cujos machos
apresentam excelente brancura, ombros bem intenso, mas uma máscara que embora
intensa, deve ser o mais reduzida possível, também impróprios para concursos.
Como fato curioso gostaríamos de mencionar que com a própria evolução, pode chegar
o caso extremo de confundirmos alguns machos de linha fêmea com algumas fêmeas de
linha macho onde o dimorfismo se vê muito reduzido.
Outro ponto extremamente importante à ser considerado no acasalamento dos canários
mosaicos é o fato de devemos tomar muito cuidado para procurar um perfeito equilíbrio
entre brancura e intensidade de cor, pois existe uma tendência para que os canários
muito brancos diminuam a manifestação de cor nas regiões de eleição e em
contrapartida os canários com excelente manifestação de lipocrômo, apresentem maior
“infusão” de lipocrômo nas áreas onde o branco puro é valorizado.
Resumindo, o nosso desafio consiste em produzir canários mosaicos tanto machos como
fêmeas de excelente qualidade para concursos, o que, considerando as características
exigidas no Manual de Julgamento, nos obriga a utilizarmos linhagens diferentes para
produzir ambos. O desafio continua no sentido de obtermos um maior contraste entre a
cor de fundo e o branco, evitando de ir para os extremos no sentido de obtermos
pássaros extremamente brancos mas sem boa expressão de cor, ou pelo contrario
exemplares com excelente cor mas pouco branco.
A beleza de um excelente canário mosaico, compensa todo e qualquer esforço.

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